Sábado, 7 de Julho, talvez o dia mais esperado da viagem.
Acordei um pouco tarde devido ao horário de chegada do dia anterior. Para não
perder mais tempo fui logo tomar meu banho e comer alguns mini-croissants com
queijo. Como não teria o dia todo dessa vez, não podia perder muito tempo...
apenas passei na recepção pra ver se encontrava alguns dos novos amigos de
ontem. Não encontrei ninguém então segui novamente sozinho pra caminar pela
cidade.
Dessa vez segui na direção inversa, com destino inicial
na Plaza Mayor. A praça é realmente bem grande e bonita, mas a
vista foi um pouco prejudicada por uma estrutura montada para algum tipo de
apresentação teatral: cadeiras e estruturas de ferro tomavam conta da praça.
Lá, obviamente, muito turistas. Mulheres caracterizadas como dançarinas de
Flamenco ofereciam fotos aos turistas, bem no estilo Baianas de
Salvador. De lá segui em frente para a Plaza de San Miguel e Plaza
de La Villa, dessa vez munido de um mapa! Essas praças eram bem menores mas
igualmente bonitas, acho que sou eu que tenho um certo apreço por praças
mesmo... talvez pela falta delas em Recife.
| Plaza Mayor |
Já chegando ao fim da Calle Mayor já
avistei a Catedral de La Almudena, uma enorme construção de
proporções incríveis. Ao lado dela, seguindo mais um pouco, cheguei ao pátio
que fica entre a catedral e o Palácio Real. Um espaço enorme que
trazia uma certa paz. Tirei algumas fotos e me sentei nas escadarias da entrada
frontal da catedral, onde um senhor Acordeonista muito bom tocava
sucessos como Besa-me Mucho, Sole Mio, e outros clássicos; e
recebia moedas dos turistas, crianças e adultos, maravilhados. Segui em frente
passando pela Plaza de Oriente até os Jardins de
Sabatini. A essa altura já estava morto de fome e parei ali mesmo num
restaurante em frente para almoçar. Comi uma lasanha e Zumo de Naranja que
estavam exatamente do tamanho da minha fome! Feita a Siesta, segui
meu rumo já mirando a volta pro albergue pois queria dar uma descansada antes
da grande noite. No caminho ainda passei na Plaza de España onde
foi bem difícil tirar fotos junto aos monumentos, devido a quantidade de
turistas na vez. Segui pela Gran Vía até Plaza de Callao e
voltei para o albergue.
| Jardins de Sabatini |
Antes de me por para descanso, parei um pouco para usar os
computadores do albergue e saber notícias do mundo. Enquanto estava lá, escutei
na salinha ao lado 2 cariocas comentando sobre o Rock in Rio.
Prontamente me juntei a conversa perguntando se eles iam novamente naquela
noite, estava garantida minha companhia para o evento, com meus novos recém-amigos.
Esse é o bom de albergues, basta um interesse em comum para se fazer amigos,
ainda que só dure até o dia seguinte. Mas quem liga?
Ficamos conversando sobre o evento e viagens até a hora de
ir para a Ciuldad Del Rock. Muni-me da minha camisa do Incubus e
fomos embora pegar o metrô em direção ao estádio Santiago Bernabéu,
o conhecido estádio do Real Madrid, de onde sairiam os ônibus
gratuitos até Arganda Del Rey, onde ficava o evento. Nem no
terminal de integração eu tinha visto tanto ônibus reunido, nem nunca tinha
visto uma fila de gente tão grande. Pra minha sorte, o tamanho da fila era
proporcional à velocidade em que ela andava. Ainda bem que na Europa as coisas
são organizadas, ninguém furava fila e a organização da equipe do evento não
deixava a fila demorar muito.
| Fila para o embarque ao Rock in Rio Madrid |
De lá até o local da Ciuldad
Del Rock, arrisco dizer que foram entre 30 a 40min de estrada. Mais uma vez
notei a diferença entre Brasil e Europa: num ônibus cheio de rockeiros viajando
durante 40min, ninguém fazia barulho, baderna e nem botava o celular pra tocar
musica. Pelo contrário, o silêncio e o respeito eram tão grandes que deu até um
pouco de sono.
Chegamos em Arganda
Del Rey e o local mais um enorme deserto! A Cidade do Rock era um oásis no
meio de tanta sequidão. Descemos do ônibus e ficamos um tempo lá em frente,
debaixo de uma sombra e bebendo, já que as bebidas não eram permitidas de
entrar no festival. Fiquei apenas pouco tempo lá fora, o primeiro show começava
as 20:45h e percebi que os cariocas que me acompanhavam estavam interessados
mesmo apenas na atração principal. Como eu queria viver a experiência do
festival como um todo, me despedi dos caras e segui para a entrada, já
presumindo que dali em diante não encontraria mais ninguém.
Já na entrada, uma fonte enorme com o logo do festival dava
às boas vindas aos rockeiros! Todos tirando fotos, era parada obrigatória antes
de começar a curtição. Não podia ficar de fora então, arranhei meu portunhol e pedi a um passante para
tirar uma foto minha também.
| Yo fui a Rock in Rio Madrid! Por un mundo mejor! |
Já dentro do recinto, dei uma rápida volta pelos estandes da
área, comprei minha primeira cerveja – 500ml, 4 euros – e fui logo para frente
do palco, me posicionar para o show de Gogol
Bordello.
Poucos minutos depois, uma contagem regressiva no telão,
acompanhada em uníssono pelos espectadores, e começa o primeiro show.
Descrever o show e o som de Gogol Bordello é uma tarefa difícil. Apenas arrisco dizer que é
muito bom! Uma vez li em algum lugar alguém dando o rótulo de Cigano-Punk, mas acho que é mais fácil
dizer que é uma grande confusão sonora... que dá muito certo! Na banda com
Acordeom, violino, violão, percurssao e integrantes da Ucrânia, Rússia, China e
Equador, não se entende muito bem o que está acontecendo, e as vezes nem que
idioma está sendo cantado... você apenas sente que aquilo tá muito divertido e
que é pra pular também! Se eu que sou do Brasil e to acostumado com misturas,
adorei, nem preciso dizer que os gringos piraram. As músicas transitam entre
Reggae, Punk, Música Folclórica e outros. Um maluco sem camisa e de gravata
amarrada na cabeça liderava tudo isso.
| Gogol Bordello no palco do Rock in Rio Madrid |
Terminado o show, pensei em ficar logo por ali para o show
de Incubus, mas seria injusto curtir
esse momento tão esperado sem tomar mais uma cerveja. Fui ao estande de bebidas
mais próximo, comprei minha cerveja e rapidamente voltei para a frente do
palco. Avancei até onde foi possível dosar entre vista e espaço. Queria ter ficado mais perto, mas também não queria
ficar sem poder me mexer. Acabei num lugar à media distancia e um pouco pra
esquerda. Bom o suficiente pra mim.
Já começava a escurecer quando a banda começou a mandar uma
intro. Gritos de euforia acompanharam a entrada dos integrantes do palco, logo
vi que eu não era o único que estava ali por eles. Começam os acordes de Privillege
e o show tá valendo! Foi uma surpresa pra mim pois essa música geralmente não
recebe muito foco em show da banda para festivais. Mas para um grande fã, foi
um presente!
| En la Ciuldad del Rock |
Durante quase 1h30m
pulei e cantei até ficar rouco absolutamente todas as músicas, com aquela
euforia de fã que reconhece a próxima música já no primeiro acorde. A
receptividade do público foi bem maior do que eu esperava e a interação da
banda também. A quem possa interessar (provavelmente, só eu), o repertório do
show foi este:
Privilege
Privilege
Megalomaniac
Adolescents
Pardon Me
Made For TV Movie
Circles
Are You In?
A Kiss to Send us Off
In The Company of Wolves
Drive
Anna Molly
Talk Shows on Mute
Love Hurts
Nice to Know You
Sick Sad Little World
Ao fim do show do Incubus
eu já estava com a sensação de satisfeito e de missão cumprida. Aproveitei pra
pegar minha ultima cerveja, comer alguma coisa e dar uma volta enquanto não
começavam os Red Hot Chili Peppers.
No meio da caminhada encontrei nada menos que uma micro escola de samba! Ela fazia parte de um stand que promovia o
Brasil e sorteava viagens para o Rock in
Rio, do Rio, no ano que vem. Me diverti vendo os gringos pirarem no som
característico da nossa terrinha.
| Jose Pasillas, do Incubus. Grande ídolo |
Soam os primeiros sons no Palco Mundo que anunciavam a entrada do Red Hot Chili Peppers no palco. Até pensei em ficar por ali, de
longe mesmo, pois estava realmente satisfeito com tudo o que tinha visto até
agora. Mas então refleti: “poxa, já to
aqui! Não custa nada ir lá pra frente.”. Dessa vez o mar de gente diante do
palco já era bem maior então decidi tentar chegar mais perto pela direita. Mas
uma vez fiz a dosagem vista-espaço e
parei num lugar que considerei bom. A não ser pela maldita grua que vez por
outra resolvia se posicionar na frente da gente.
O show do RHCP
não tem nem o que dizer, é jogo ganho. Mesmo sem ser grande fã você percebe que
conhece praticamente todas as músicas. Sem contar que a presença de palco dos
caras é de prender a atenção. O show é completo, com sucessos, baladas, solos
de guitarra, baixo e bateria. Um rápido Bis
no final pra mandar Give It Away e
eles se despedem de Madri. Fogos de artifício anunciam o fim do show. Até as 5h
da manhã ainda rolaria a apresentação do DJ Deadmau5, mas acho que 80% dos presentes não estavam mais
interessados depois dos grandes shows que vimos.
| RCHP no Rock in Rio Madrid |
Ainda pensei em tentar curtir um pouco mais da cidade do
rock, mas já era por volta das 3h da manhã e o caminho de volta era longo. Dei
um tempo e segui para o ônibus que nos deixaria de volta no estádio Santiago Bernabéu. A viagem de volta
pareceu mais curta devido aos cochilos e então desembarquei do ônibus para
procurar um taxi, já que não havia mais metrô a essa hora. Sem esperança de
encontrar os brasileiros de novo, peguei o primeiro taxi que ficou disponível e
curiosamente era uma mulher de motorista. Não vemos muito isso pelo Brasil. Ela
ainda tentou puxou alguma conversa, mas como meu espanhol não é dos melhores e
já estava bem sonolento, me bastei a dizer que “no hablo muy bien español”. 11,50 euros depois, desci de volta no
albergue, onde dormi do jeito que estava pois organizar bolsos e roupas daria
muito trabalho e acordaria os outros. No
dia seguinte, check out bem cedo e partida de volta para Barcelona, para agora sim conhecer de verdade.

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