Europa 2ª Temporada - Cap. 4: ¡YO FUI!

Sábado, 7 de Julho, talvez o dia mais esperado da viagem. Acordei um pouco tarde devido ao horário de chegada do dia anterior. Para não perder mais tempo fui logo tomar meu banho e comer alguns mini-croissants com queijo. Como não teria o dia todo dessa vez, não podia perder muito tempo... apenas passei na recepção pra ver se encontrava alguns dos novos amigos de ontem. Não encontrei ninguém então segui novamente sozinho pra caminar pela cidade.


Dessa vez segui na direção inversa, com destino inicial na Plaza Mayor. A praça é realmente bem grande e bonita, mas a vista foi um pouco prejudicada por uma estrutura montada para algum tipo de apresentação teatral: cadeiras e estruturas de ferro tomavam conta da praça. Lá, obviamente, muito turistas. Mulheres caracterizadas como dançarinas de Flamenco ofereciam fotos aos turistas, bem no estilo Baianas de Salvador. De lá segui em frente para a Plaza de San Miguel e Plaza de La Villa, dessa vez munido de um mapa! Essas praças eram bem menores mas igualmente bonitas, acho que sou eu que tenho um certo apreço por praças mesmo... talvez pela falta delas em Recife.

Plaza Mayor
Já chegando ao fim da Calle Mayor já avistei a Catedral de La Almudena, uma enorme construção de proporções incríveis. Ao lado dela, seguindo mais um pouco, cheguei ao pátio que fica entre a catedral e o Palácio Real. Um espaço enorme que trazia uma certa paz. Tirei algumas fotos e me sentei nas escadarias da entrada frontal da catedral, onde um senhor  Acordeonista muito bom tocava sucessos como Besa-me Mucho, Sole Mio, e outros clássicos; e recebia moedas dos turistas, crianças e adultos, maravilhados. Segui em frente passando pela Plaza de Oriente até os Jardins de Sabatini. A essa altura já estava morto de fome e parei ali mesmo num restaurante em frente para almoçar. Comi uma lasanha e Zumo de Naranja que estavam exatamente do tamanho da minha fome! Feita a Siesta, segui meu rumo já mirando a volta pro albergue pois queria dar uma descansada antes da grande noite. No caminho ainda passei na Plaza de España onde foi bem difícil tirar fotos junto aos monumentos, devido a quantidade de turistas na vez. Segui pela Gran Vía até Plaza de Callao e voltei para o albergue.

Jardins de Sabatini
Antes de me por para descanso, parei um pouco para usar os computadores do albergue e saber notícias do mundo. Enquanto estava lá, escutei na salinha ao lado 2 cariocas comentando sobre o Rock in Rio. Prontamente me juntei a conversa perguntando se eles iam novamente naquela noite, estava garantida minha companhia para o evento, com meus novos recém-amigos. Esse é o bom de albergues, basta um interesse em comum para se fazer amigos, ainda que só dure até o dia seguinte. Mas quem liga?

Ficamos conversando sobre o evento e viagens até a hora de ir para a Ciuldad Del Rock. Muni-me da minha camisa do Incubus e fomos embora pegar o metrô em direção ao estádio Santiago Bernabéu, o conhecido estádio do Real Madrid, de onde sairiam os ônibus gratuitos até Arganda Del Rey, onde ficava o evento.  Nem no terminal de integração eu tinha visto tanto ônibus reunido, nem nunca tinha visto uma fila de gente tão grande. Pra minha sorte, o tamanho da fila era proporcional à velocidade em que ela andava. Ainda bem que na Europa as coisas são organizadas, ninguém furava fila e a organização da equipe do evento não deixava a fila demorar muito.

Fila para o embarque ao Rock in Rio Madrid
De lá até o local da Ciuldad Del Rock, arrisco dizer que foram entre 30 a 40min de estrada. Mais uma vez notei a diferença entre Brasil e Europa: num ônibus cheio de rockeiros viajando durante 40min, ninguém fazia barulho, baderna e nem botava o celular pra tocar musica. Pelo contrário, o silêncio e o respeito eram tão grandes que deu até um pouco de sono.

Chegamos em Arganda Del Rey e o local mais um enorme deserto! A Cidade do Rock era um oásis no meio de tanta sequidão. Descemos do ônibus e ficamos um tempo lá em frente, debaixo de uma sombra e bebendo, já que as bebidas não eram permitidas de entrar no festival. Fiquei apenas pouco tempo lá fora, o primeiro show começava as 20:45h e percebi que os cariocas que me acompanhavam estavam interessados mesmo apenas na atração principal. Como eu queria viver a experiência do festival como um todo, me despedi dos caras e segui para a entrada, já presumindo que dali em diante não encontraria mais ninguém.
Já na entrada, uma fonte enorme com o logo do festival dava às boas vindas aos rockeiros! Todos tirando fotos, era parada obrigatória antes de começar a curtição. Não podia ficar de fora então, arranhei meu portunhol e pedi a um passante para tirar uma foto minha também.

Yo fui a Rock in Rio Madrid! Por un mundo mejor!
Já dentro do recinto, dei uma rápida volta pelos estandes da área, comprei minha primeira cerveja – 500ml, 4 euros – e fui logo para frente do palco, me posicionar para o show de Gogol Bordello.
Poucos minutos depois, uma contagem regressiva no telão, acompanhada em uníssono pelos espectadores, e começa o primeiro show.

Descrever o show e o som de Gogol Bordello é uma tarefa difícil. Apenas arrisco dizer que é muito bom! Uma vez li em algum lugar alguém dando o rótulo de Cigano-Punk, mas acho que é mais fácil dizer que é uma grande confusão sonora... que dá muito certo! Na banda com Acordeom, violino, violão, percurssao e integrantes da Ucrânia, Rússia, China e Equador, não se entende muito bem o que está acontecendo, e as vezes nem que idioma está sendo cantado... você apenas sente que aquilo tá muito divertido e que é pra pular também! Se eu que sou do Brasil e to acostumado com misturas, adorei, nem preciso dizer que os gringos piraram. As músicas transitam entre Reggae, Punk, Música Folclórica e outros. Um maluco sem camisa e de gravata amarrada na cabeça liderava tudo isso.

Gogol Bordello no palco do Rock in Rio Madrid
Terminado o show, pensei em ficar logo por ali para o show de Incubus, mas seria injusto curtir esse momento tão esperado sem tomar mais uma cerveja. Fui ao estande de bebidas mais próximo, comprei minha cerveja e rapidamente voltei para a frente do palco. Avancei até onde foi possível dosar entre vista e espaço. Queria ter ficado mais perto, mas também não queria ficar sem poder me mexer. Acabei num lugar à media distancia e um pouco pra esquerda. Bom o suficiente pra mim.
Já começava a escurecer quando a banda começou a mandar uma intro. Gritos de euforia acompanharam a entrada dos integrantes do palco, logo vi que eu não era o único que estava ali por eles. Começam os acordes de Privillege e o show tá valendo! Foi uma surpresa pra mim pois essa música geralmente não recebe muito foco em show da banda para festivais. Mas para um grande fã, foi um presente!

En la Ciuldad del Rock
Durante quase 1h30m pulei e cantei até ficar rouco absolutamente todas as músicas, com aquela euforia de fã que reconhece a próxima música já no primeiro acorde. A receptividade do público foi bem maior do que eu esperava e a interação da banda também. A quem possa interessar (provavelmente, só eu), o repertório do show foi este:

Privilege
Megalomaniac
Adolescents
Pardon Me
Made For TV Movie
Circles
Are You In?
A Kiss to Send us Off
In The Company of Wolves
Drive
Anna Molly
Talk Shows on Mute
Love Hurts
Nice to Know You
Sick Sad Little World

Ao fim do show do Incubus eu já estava com a sensação de satisfeito e de missão cumprida. Aproveitei pra pegar minha ultima cerveja, comer alguma coisa e dar uma volta enquanto não começavam os Red Hot Chili Peppers. No meio da caminhada encontrei nada menos que uma micro escola de samba! Ela fazia parte de um stand que promovia o Brasil e sorteava viagens para o Rock in Rio, do Rio, no ano que vem. Me diverti vendo os gringos pirarem no som característico da nossa terrinha.

Jose Pasillas, do Incubus. Grande ídolo
Soam os primeiros sons no Palco Mundo que anunciavam a entrada do Red Hot Chili Peppers no palco. Até pensei em ficar por ali, de longe mesmo, pois estava realmente satisfeito com tudo o que tinha visto até agora. Mas então refleti: “poxa, já to aqui! Não custa nada ir lá pra frente.”. Dessa vez o mar de gente diante do palco já era bem maior então decidi tentar chegar mais perto pela direita. Mas uma vez fiz a dosagem vista-espaço e parei num lugar que considerei bom. A não ser pela maldita grua que vez por outra resolvia se posicionar na frente da gente.

O show do RHCP não tem nem o que dizer, é jogo ganho. Mesmo sem ser grande fã você percebe que conhece praticamente todas as músicas. Sem contar que a presença de palco dos caras é de prender a atenção. O show é completo, com sucessos, baladas, solos de guitarra, baixo e bateria. Um rápido Bis no final pra mandar Give It Away e eles se despedem de Madri. Fogos de artifício anunciam o fim do show. Até as 5h da manhã ainda rolaria a apresentação do DJ Deadmau5, mas acho que 80% dos presentes não estavam mais interessados depois dos grandes shows que vimos.

RCHP no Rock in Rio Madrid
Ainda pensei em tentar curtir um pouco mais da cidade do rock, mas já era por volta das 3h da manhã e o caminho de volta era longo. Dei um tempo e segui para o ônibus que nos deixaria de volta no estádio Santiago Bernabéu. A viagem de volta pareceu mais curta devido aos cochilos e então desembarquei do ônibus para procurar um taxi, já que não havia mais metrô a essa hora. Sem esperança de encontrar os brasileiros de novo, peguei o primeiro taxi que ficou disponível e curiosamente era uma mulher de motorista. Não vemos muito isso pelo Brasil. Ela ainda tentou puxou alguma conversa, mas como meu espanhol não é dos melhores e já estava bem sonolento, me bastei a dizer que “no hablo muy bien español”. 11,50 euros depois, desci de volta no albergue, onde dormi do jeito que estava pois organizar bolsos e roupas daria muito trabalho e acordaria os outros.  No dia seguinte, check out bem cedo e partida de volta para Barcelona, para agora sim conhecer de verdade.

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