Europa 2ª Temporada - Cap. 3: ¡Enhorabuena!


Começando a etapa Espanha da viagem, já preciso adiantar que terei que ser mais suscinto. Muito tempo fora e já muita coisa pra contar. No dia 04 de Julho, por volta das 19h parti para o Aeroporto em direção a Barcelona. Meus temores se mostraram infundados, uma vez que não tive problema nenhum para entrar na Espanha. Como vinha de Bruxelas, desembarquei em Barcelona direto, sem controle de imigração e livre como um europeu nativo. Cheguei próximo à meia noite e lá estava André, pai da minha namorada, para me receber. Ele será  o anfitrião dessa etapa espanhola.
Como cheguei tarde, já não tinha mais metrô e então tivemos que ir pra casa nos Nit Bus, que são ônibus noturnos, no que seria o “Bacurau” em Recife. Pegamos uma linha até a Praça Catalunya, de onde saiem outras linhas para toda Barcelona. Pegamos a outra linha e chegamos em casa, já por volta das 1h e pouca. Devido à hora, nada muito a se fazer a não ser uma pouca conversa e dormir.
No dia seguinte tivemos apenas uns passeios leves, já que no dia seguinte eu seguiria para Madri bem cedo. Como André tinha algumas coisas pra resolver, fui com ele para conhecer alguns pontos. Passamos em Barcelonita, uma área de praia, onde pude ver que é o que realmente bomba por aqui. Os gringos não economizam nas poucas roupas e no clima de festa. Além de tudo, muitas boates pela área indicando que a noite ali deve ser agitada.
Eu e André, meu "cunhado"
Antes de voltar pra casa, passamos no Mercado de La Boqueria. Um mercado no melhor estilo do Mercado da Madalena ou Encruzilhada, onde podemos comprar frutas, verduras, carnes e outros ingredientes por um preço mais justo. Aparentemente os turistas europeus tem algum fascínio por mercados, pois vi muitos não-espanhóis lá dentro tirando foto. Pra mim, apesar de bonito, era uma coisa perfeitamente comum. Seguimos pra casa onde comemos uma ótima picanha feita pelo Fabiano, amigo carioca do André que também vive por aqui. Antes de encerrar o dia, demos mais uma volta pela cidade e voltamos para dormir, já que amanhã viajaria cedo para Madri.
Saímos cedo na sexta feira em direção ao aeroporto. Como o sistema de metrô aqui é bastante eficiente, chegamos no aeroporto a tempo, sem dores de cabeça. Me despedi de André e segui para o embarque. Achei o esquema de embarque do aeroporto de Barcelona meio zoneado... A área de controle de raio-x é a mesma para todos os voos, apenas depois de passar é que se segue para o seu portão. Fora isso, meu cartão dizia Gate AB, e portanto presumi que deveria ir em direção aos portões A. Fiz isso e andei quase o leste inteiro do aeroporto enquanto passava pelos portões A1 ao A55 e então concluí que não era bem por ali. Voltei o caminho todo e agora segui para os portões B, onde no caminho achei um painel que dizia meu portão exato: B37. Tanto no embarque quanto na chegada em Madri, mais uma vez meus temores foram infundados: não tive qualquer problema com imigração e entrada pelo temido aeroporto de Barajas. Dessa vez, e pela primeira vez, desembarcava em uma cidade estrangeira totalmente por conta própria e para ficar.

Como manda o protocolo, fui ao balcão de informações turísticas e perguntei como chegar de metrô até o meu albergue. A informação da funcionária basicamente consistiu em dizer “siga as plaquinhas indicando a direção do metrô e lá embaixo você pergunta.” Ou seja, não serviu de nada. Cheguei na área de embarque pro metrô e fui mais uma vez pedir informação. O nível de utilidade dessa ação foi quase zero. A atendente falava um inglês pior que o meu e não soube me dizer exatamente como chegar até meu destino. No final das contas, ela chamou um rapaz madrilenho que estava por lá e este me ajudou pelo menos a comprar os bilhetes. Como ele também não falava inglês, o papo se resumiu a dizer que sou do Brasil e o gringo falar “Ah! Caipirinha, Samba!”, como manda o figurino.
Depois dessas tentativas frustradas, achei melhor seguir o roteiro que dizia na minha reserva do albergue. Fiz isso e deu muito certo! De repente estava desembarcando na estação Sol, em plena Puerta Del Sol, uma das principais praças de Madri, a poucos metros do Hostel One na Calle Del Carmen onde me hospedei.
Calle Del Carmen, rua do Hostel One

Já na subida encontrei 2 caras também chegando, que minutos depois descobri também serem brasileiros, de São Paulo. Eram o Renato e o Augusto, que mais tarde naquele dia iriam ser minhas companhias pelo role da noite. O albergue fazia jus a sua pontuação no site: muito legal, muito limpo e com um staff muito gente boa. Já no check-in recebemos um cadeado para o armário do quarto, onde deixamos 10 euros que nos são devolvidos na hora do checkout, como num esquema de caução.
Fui levado até o meu quarto, nº 29, um 4 bed mixed dorm e lá estava o Mikael. Me apresentei e descobri que ele era da África do Sul e que trabalhava lá mesmo no albergue. Me contou que no quarto também tinha mais 2 garotas brasileiras, as quais so conheci um pouco mais tarde. Depois de me arranjar na minha cama, fui logo tratar de tomar um banho pois havia andado bastante e o calor em Madri não era de Deus. Por 2 euros aluguei uma toalha lá mesmo, que ficou comigo até a hora de ir embora. Meu primeiro banho foi “no seco” já que esqueci de comprar shampoo e sabonete. Na verdade não tava nem aí, queria mesmo era matar o calor. Quando voltei ao quarto conheci a Renata e a Natália, ambas de São Paulo, estudantes de Moda e Arquitetura respectivamente. As duas também tinham se conhecido por lá.

Feito a social, segui para caminhar pela cidade pois já havia perdido muito tempo. Na saída, acabei esquecendo de pegar um mapa na recepção. Como não tava afim de pagar por um na rua, e nem tava afim de voltar lá, decidi andar ao acaso mesmo. Comecei pela Puerta Del Sol, que ficava “na esquina de casa”. Uma praça enorme e muito bonita onde se encontram as estátuas do Oso y el Madroño, e Carlos III. Na praça também haviam vários caras fantasiados de personagens diversos, como Super Mario, Tartarugas Ninja, Hello Kitty e etc. Acabei não descobrindo a razão disso. Segui acima pela Calle Mayor, ainda sem saber que era ela, e fui andando até dar uma volta e sair terminar na Plaza Del Callao onde estava acontecendo uma espécie de evento promocional de cinema, com projeção ao vivo na parede e uma limusine estacionada.

Puerta del Sol

Oso y el Madroño

Depois de muito andar, já estava morto de fome e resolvi comer alguma coisa. Tava afim de provar algo diferente, mas claro que dentro do meu seleto gosto culinário. Acabei no KFC, uma espécie de fast-food inteiramente baseado em Frango. Coisa bem americana, com aqueles baldes de frango assado para comer com a mão e tudo. Pedi um Menu Fillet e me impressionei com a americanidade do lanche: um sanduichão com carne caindo do pão, pacotão de batata e um copo de Pepsi de quase 1L. Depois de comer até cansar, ainda faltava boa parte da batata e do refrigerante. Um árabe que estava na rua veio me incomodar para pedir um gole e como eu já estava inchado, dei o resto do lanche todo pra ele e segui meu caminho. Antes de voltar passei no supermercado El Corte Inglés pra comprar meus suprimentos: Sabonete, pasta de dente, 2L de água, mini-croissants, manteiga e queijo. Foi tão barato que nem lembro quanto paguei.
Lanchinho bem americano

De volta no albergue, descobri que o programa da noite era a ida ao Teatro Kapital. Concentração à partir das 22h na recepção onde seriamos levados pelo Mark, uma espécie de guia de farra lá do albergue. Voltei para o meu quarto pra descansar e depois me preparar para o passeio. Como estava sozinho, e tinha o Rock in Rio pra ir no dia seguinte, nada melhor que pegar esse tour pra conhecer uma galera descobrir alguém que também fosse pro evento pra eu não ir sozinho. Além do que, não tinha porque não aproveitar essa oportunidade.

Por volta das 21h, desci pra recepção onde já tinha uma galera aquecendo com as cervejas do albergue. Por 1 euro, podíamos pegar uma cerveja na geladeira de lá. Lá reencontrei o Renato e o Augusto, os brasileiros que conheci no check-in. Conhecemos também a Raquel, outra paulista que encantou o inglês de Manchester, Aushly. Aparentemente, Raquel não foi muito com a cara do gringo, que era meio esquisito, e esquivou todas suas investidas. Para se ter uma ideia, conversei mais de meia hora com ele, onde falamos sobre o nossos países, sobre futebol, os tipos de beleza das mulheres das nossas cidades e etc, dentre um elogio e outro que o gringo fazia à Raquel. Em um dado momento, Aushly saiu para buscar outra cerveja e quando voltou, me pus a continuar o papo com ele normalmente. De repente, o gringo me vem com as perguntas do tipo: “So, where are you from?”, “And your name is?”, “Is your city close to Rio?” e outras várias pergunta que já havia sido feitas na primeira meia hora de conversa. Por um momento até cheguei a cogitar que talvez fosse outro gringo ali, já que as vezes eles parecem todos iguais... mas não. Acho que ele tinha algum tipo de dislexia, fiquei meio assustado com aquilo, então me saí e segui conversando com o grupo dos paulistas.

Pouco tempo depois chegou Mark pra levar a turistada toda pra rua. Uns 15 minutos de caminhada e chegamos no Teatro Kapital, que segundo Mark, é a melhor boate da Europa. De fato, era um lugar foda! 7 andares de boate, cada um com um ambiente diferente. Pagamos 15 euros na entrada com direito a 2 bebidas. Ficamos juntos eu, Renato e Augusto já que Raquel acabou por, digamos: ficar bem próxima de Mark. Me reservei apenas aos meus 2 drinks já que uma cerveja era a bagatela de 10 euros.
Renato, Augusto e eu no Teatro Kapital

Demos um tempo no último andar onde era a área aberta para fumantes, um lugar altamente elegante onde as pilastras eram neon e palmeiras adornavam toda a área. Um pouco depois descemos para o primeiro piso, onde agora a pista de dança já estava cheia. Nessa pista tinha uma espécie de canhão de vapor frio que atirava uma jorrada de fumaça fria sobre a cabeça da galera na pista, conforme a música. A esta altura, Augusto e Renato já estavam no brilho e afim de caçar. Já era bem tarde e eu vi que ali a coisa ia se estender bastante ainda. Então me despedi dos caras e segui pro albergue. Na saída, achei melhor pegar um taxi, ainda com aquela desconfiança que sempre carregamos ao pegar um taxi em Recife. Mas foi tranquilo, mesmo sendo turista, o taxista não me enrolou e me deixou na Puerta Del Sol e paguei apenas 4,50 euros.
Teatro Kapital
Já era bem tarde e pra não acordar a galera do quarto, dormi com tudo no bolso mesmo. Abrir o armário seria muita sacanagem. Fui dormir do jeito que estava, pois amanhã era o dia de realizar um sonho: assistir o show de Incubus no Rock in Rio Madrid...

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