Europa 2ª Temporada - Cap. 7: Une Semaine Belge

Depois de quase 2 semanas pingando por aí, finalmente paramos um pouco aqui em Bruxelas, na Bélgica, nosso porto seguro. Ainda exaustos das caminhadas de Amsterdam nos dias anteriores, nossa segunda-feira foi destinada a uma pequena volta no centro da cidade, apenas. Porém, durante essa semana belga o tempo estava ainda pior que na Holanda e nosso passeio acabou sendo ainda mais curto que o planejado.


Já tínhamos conhecidos os principais pontos, como a Grand Place e o Manenken Pis, no dia-intervalo entre Barcelona e Amsterdam e desta vez decidimos ir ver o Mont des Arts e mais alguma coisa qualquer por ali. O Mont des Arts é uma espécie de jardim ornamentado, muito bonito que fica no caminho entre as partes alta e baixa do centro de Bruxelas. Mesmo com a chuva torrencial foi possível apreciar um pouco da beleza do lugar, vendo de cima. Demos uma pequena volta na Place Royal mas, a chuva estava tão forte, e estávamos ainda cansados das ultimas caminhadas, que desistimos de tudo e resolvemos voltar pra casa. No caminho de volta, Rafaella ainda resolveu ser extravagante e pediu um sorvete num clássico caminhãozinho de praça que não devia estar vendendo nada naquele dia. Ainda no trajeto, pegamos um típico lanchinho belga: batatas fritas no cone, e passamos por uma loja muito legal especializada no personagem Tintin, que pra quem não sabe, é belga com muito orgulho, com direito a museu e tudo.

Nós e o Mont des Arts ao fundo
 Na terça, decidimos (re)visitar o Atomium, um monumento gigante em forma de molécula química feito para a Expo 58, em 1958 em Bruxelas. Eu já o tinha visitado da primeira viagem e Rafaella já o tinha visto no primeiro dia em que esteve em Bruxelas, antes de viajar para Barcelona. Porém ainda não tínhamos ido juntos. Fazia um melhor tempo, sem chuva e com sol aparecendo de vez em quando, então foi uma boa programação. Pegamos o metro e, após uma conexão, descemos em Heysel, onde já saímos no Brupark, área onde fica o Atomium e mais algumas outras atrações como: um cinema, a expo Mini-Europa, e vários restaurantes e bares. Tiramos nossas fotos e fomos até parte de trás onde há um pequeno jardim circular e o acesso a um grande parque, quase uma reserva florestal, que eu não conhecia ainda. Lá curtimos uma caminhada e depois voltamos para tomar uma merecida cerveja num dos bares do Brupark.

De volta ao Atomium
À noite tínhamos o aniversário da minha prima Jaci no Pixel Bar, bem próximo ao Palais de Justice, também pelo centro. Pegamos uma carona com Kris e chegamos um pouco mais cedo que o combinado, então aproveitamos pra dar uma volta no mirante próximo ao palácio e tirar umas fotos da bela vista. Nesse momento um fato curioso aconteceu: enquanto tirávamos uma foto de nós dois no estilo viajantes solitários, esticando o braço e virando a lente para si, um gringo esquisito passou e, balbuciando algo em um idioma não identificado, segurou minha câmera como que para bater a foto por nós. Eu não tinha percebido sua aproximação então, num instinto brasileiro de ser, segurei a câmera com mais força ainda e fiz cara de alerta. Por uns 10 segundos meu cérebro ficou refletindo se aquilo poderia ser um roubo ou bêbado querendo tirar graça, mas no final das contas era apenas um gesto de boa vontade mesmo. Foram segundos bem tensos!

Foto tirada pelo gringo invasivo, estamos meio tensos!
Quanto à festa, digamos apenas que houve uma grande falha na comunicação e ficamos por volta de 1h em frente ao Pixel Bar, que estava fechado, até descobrirmos que o pessoal tinha mudado para o bar da outra esquina. Devido a isso, ficamos apenas uma meia hora pois tínhamos que seguir para pegar o ultimo metrô.

Na quarta, tentamos visitar o castelo de Beersel, que visitei na viagem anterior, mas estava fechado. Para não perder o dia, decidimos na hora ir para Leuven, cidade famosa por ser berço da tão adorada cerveja Stella Artois. A viagem de trem até lá, saindo de Bruxelas, tem uma duração média de 40min e a cidade (ou pelo menos a parte turística) é bem pequena. Sendo assim, tínhamos o suficiente para ocupar nossa tarde. Pegamos o trem, dessa vez prestando bem atenção aos nomes das estações e perguntando em caso de dúvida, e logo logo estávamos lá. Como em várias outras cidades, o ótimo é que a estação fica bem próxima do centro ou, por que não dizer, no centro e por isso foi muito fácil andar por lá. Fizemos um rápido lanche na Quick, que é tipo de McDonalds daqui e seguimos para visitar os principais pontos. Um pouco mais de 2h de caminhada e fizemos toda a visita básica. Havia um palco montado na praça principal, mas não estava tendo nada nesse dia ou chegamos muito cedo. Como a cidade é bem universitária, no verão toda semana tem eventos na praça. Sentamos num dos bares dessa praça pra tomar uma Stella Artois em sua terra mãe, afinal não poderíamos cometer o injurio de não fazer isso, e seguimos pra voltar pra casa.

Stella na terra da Stella
Na quinta, era aniversário de Paulina, minha prima que nos hospeda aqui e que está esperando bebê. Então a pedida era ficar em casa e fazer companhia em família. Ainda assim, meu tio nos levou para uma rápida visita à Waterloo, local da famosa Batalha de Waterloo, onde Napoleão foi oficialmente derrotado. Eu já tinha visitado na viagem anterior, mas só visto de fora e dessa vez fui com Rafaella fazer a subida do monte do Leão de Waterloo. É um grande monte manualmente erguido (grande mesmo: 226 degraus) com uma enorme estatua de um leão no topo, representando a batalha ali ocorrida. O ticket também dá acesso ao Panoramio que é uma sala com um painel 360 graus que tenta fazer você se sentir como se estivesse observando a batalha real, lá do alto. Mas sinceramente, não tem muita graça. Voltamos para casa para dar início aos festejos familiares.

As escada sem fim no monumento de Waterloo
Na sexta, conforme o planejado, tiramos o dia para visitar Bruges, cidade muito bonita e com um ar bastante medieval que é de impressionar. Foi o momento romântico da semana. Já após sairmos da estação e andarmos poucos metros, pudemos parar para fazer um mini piquenique num banquinho em frente a um dos vários canais que cercam a cidade. Bem cena de filme romântico. De lá seguimos para caminhar nas ruas e se impressionar com a beleza das paisagens, tem horas que realmente da pra se sentir em outra época.

Em Bruges
Levei Rafaella para fazer o tour na fábrica de cerveja, que eu havia feito na viagem passada, e dessa vez foi bem mais legal. A guia do tour era bem mais simpática, cativante e com um inglês bem mais acessível. Saímos de lá com a certeza de que a cerveja é a solução para vários problemas! Dentre alguns dos aprendizados, aprendemos que: cerveja é bom para o cabelo, para a menopausa e que, principalmente, beber cerveja na lata ou sem espuma é um crime! A cerveja precisa respirar!

Tentamos visitar um dos bares fortemente indicados por Kris, o Brugs Beertje, mas tivemos azar e estava fechado. Visitamos algumas das várias chocolaterias e vimos chocolates de vários tipos e formas que nunca poderíamos imaginar. Sim, essa forma que você imaginou também! Quando começaram os primeiros sinais da despedida do sol, partimos pra voltar pra casa. Rafaella ainda ficou com medo de termos pego o trem errado, mas a esta altura já estávamos craques e tudo deu certo!

No sábado era Dia Nacional da Bélgica e de tarde fomos com meu tio e seu filho olhar os desfiles e apresentações na rua. O dia nacional aqui é bastante valorizado e tem uma grande participação da população, bem diferente do Brasil. Mas basicamente é um desfile militar, exibindo tanques, helicópteros e aviões de guerra pela cidade. Tentamos com muito suor achar uma bandeirinha da Bélgica pra fazer nossa parte, mas nem conseguimos.

À noite, tínhamos combinado de nos encontrarmos com minha prima Janaína para uma tão esperada noite de farra pelos bares da cidade. A premissa inicial era de ver os fogos da celebração nacional e então ir beber, mas acabamos indo direto para o bar! Nos encontramos no Sablon, uma das principais áreas do centro, e seguimos eu, Rafa, Jana e Sebastian para encontrar Kirsteen e outras duas amigas das meninas: Samantha e Lia. Começamos pelo Bizon, um pub bem maluco muito próximo ao Mappa Mondo, onde eu costumava beber na viagem anterior. A decoração é bem louca com artefatos velhos pendurados nas paredes, desde guitarras até uma motocicleta; e o teto é todo adornado com ingressos de shows de várias bandas do rock. Abrimos tomando uns shots de uma bebida chamada Violet e outra baseada em Pêra. Fizemos careta antes de beber, esperando um efeito como de uma lapada de cana, mas essas desciam bem suave quase sem notar o álcool. Depois continuamos na cerveja: provei uma Palm e depois uma Hoegaarden. De lá seguimos para um outro bar próximo que acabei não pegando o nome. Esse bar tinha um sistema de aquecimento muito interessante que eles põem no terraço, uma espécie de chapas quentes sobre as nossas cabeças. Devido ao frio que fazia, escolhemos aquele. Tomamos duas rodadas de Daiquiris acompanhadas de amendoins picantes. Foi uma rodada bem vermelha. O bar já estava fechando então tivemos que seguir em frente. Foi até o Wax, onde supostamente encontraríamos um amigo da galera. No caminho Samantha e Lia desistiram e foram pra casa, mas conseguimos convencer Kirsteen a ficar conosco sob o argumento de que ela já era nossa favorite gringa e só poderíamos beber de novo com ela dentro pelo menos uns 2 anos. Chegando lá, nem o tal amigo estava e também o lugar estava uma porcaria! Umas 6 pessoas dançando um tuntz-tuntz e só. A entrada foi só 2 euros e nos serviu pelo menos para usar o banheiro. De lá, fomos terminar no Java, também próximo dali. Tomamos uma rodada de shots de uma bebida com leve gosto de chocolate e na superfície uma chama de fogo! Depois continuamos na cerveja. Rafaella, que a esta altura já estava sem medo de se arriscar no inglês, conseguiu pra nós a tão cobiçada bandeirinha da Bélgica, de um gringo desavisado que entrou no bar. Ponto pra ela!

A  conquista da bandeirinha belga 
Às já não sei que horas da madrugada seguimos para casa de Jana, onde apagamos de um jeito que nem notei. No dia seguinte levantamos já perto da hora do almoço e fomos encontrar com Kirsteen e Lia para matar o jejum no restaurante que fica no topo do Museu de Instrumentos Musicais. Feita a ceia, nos despedimos todos e fomos cada um para suas respectivas casas descansar propriamente.

Mantivemos o dia sem maiores extravagâncias pois na manhã seguinte seguiríamos para gastar nossas energinas, e euros, no último destino da viagem: Paris!

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