Segunda-feira, 23 de Julho, 11:30h da manhã e partimos em
direção à cidade da luz, Paris, eu,
Rafaella e meu Tio Antonio, nosso guia pelos próximos 3 dias e meio. Após mais
ou menos 3 horas de estrada chegamos na capital da França e buscamos encontrar o hotel Villa Van Gogh, que seria nossa residência pelos próximos 2 dias. O
hotel ficava cravado bem no coração da região de Pigalle, mais conhecida por abrigar o famoso Moulin Rouge, bem como outros cabarés menos conhecidos. A região é
uma espécie de Red Light District de
Paris, recheada de sex shops, pubs com
acompanhantes, museus eróticos, casas de shows ao vivo e cabarés. Por
cabarés, entenda no sentido real da palavra: shows sensuais de dança e musica
com nudez parcial. Cabaré não quer dizer casa de strip-tease e nem bordel! Chegamos entre as 15h e 16h da tarde e,
como estávamos bem próximos da área de Montmartre,
resolvemos começar nossa jornada francesa por ali.
Ladeira por ladeira, subimos até chegarmos à Catedral de Sacre Coeur. Ela fica numa
das áreas mais altas de Paris e por isso ganha uma aparência ainda mais
imponente. É possível entrar sem pagar nada, apenas não é permitido tirar
fotos. Mas mesmo assim, boa parte dos turistas sacava suas câmeras para
fotografar o interior da catedral. Do lado oposto, e para quem está saindo de
dentro dela, existe uma área com grandes escadarias, jardins e fontes, ligando
esta parte superior à inferior. Dessa vez minha visita não tinha pressa, então
pude aproveitar com Rafaella para sentarmos um tempo no gramado e em frente à
fonte, apreciando a vista de toda Paris. Muitos artistas de rua aproveitam o
aspecto bucólico do local para sacar seus instrumentos e fazer suas
performances em troca de algumas moedas dos turistas passantes.
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| Nós junto à Catedral de Sacre Coeur |
Antes de ir embora, ainda lá de cima, fui com Rafaella um
pouco mais para a direita no mirante, onde de um certo ponto é possível ver lá
no meio da paisagem a Torre Eiffel.
Esse momento pra mim foi bem emocionante, pois ver a emoção de Rafa ao
vislumbrar com seus próprios olhos a Torre pela primeira vez me fez lembrar da
sensação que também tive quando vi aquele tão famoso monumento, que crescemos
vendo em filmes e fotos, pela primeira vez na minha frente. Me emocionei ao
vê-la emocionada, e fiquei feliz de estar ali com ela.
Demos mais umas voltas por aquelas ruas tão clássicas e
tradicionais de Montmartre, observando os pintores, restaurantes, e todo aquele
ar de anos 20, e descemos para voltar ao hotel para deixar algumas coisas. De
lá decidimos que a visita à Torre Eiffel seria neste dia mesmo e então,
seguimos de carro até o local. Já ao descer do carro, você se espanta com a
grandiosidade do monumento. Por mais que você tenha visto filmes e fotos, não
tem como imaginar o quão realmente gigante ela é. A torre parece possuir algum
feitiço que te faz querer tirar fotos dela em todos os ângulos a cada 5
minutos. Andamos por sobre o grande gramado, infestado de jovens, casais e
amigos, tomando sol e fazendo piquenique, até a área da fila para comprar o
ingresso da subida na torre. Lembrava-me da outra visita, que a descida de
escada tinha sido bem cansativa, então pensei: “Dessa vez vamos fazer tudo de elevador, não interessa a fila que
tenha.”. Porém, andamos, andamos e andamos e não conseguimos achar o fim da
fila. Do jeito que estava ali, no mínimo 2h
de espera só pra comprar o ingresso!
Nós já estamos ali e mudar a programação seria, além de tudo, desperdício de
tempo. Ficar naquela fila tampouco iria ser de grande valia, acabaríamos
chegando lá em cima já sem sol. Então, contamos até 10, criamos coragem e
decidimos: vamos de escada!
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| Nós aos pés da Torre Eiffel |
A flia da subida de escada era infinitamente menor, coisa
que resolvemos em uns 10min ou menos. Além disso, não tinha estresse de fila
para o elevador afinal, é cada um por si. Rafaella quis filmar nossa subida até
o primeiro andar, mas assim como eu previ, não aguentou ficar filmando até lá.
Para alcançar o primeiro andar são, mais ou menos, 328 degraus e se você tem vertigem, pode começar a se sentir meio
tonto a partir de uma certa altura. As pernas pedem arrego, mas fomos
devagarzinho e fazendo pequenas pausas e então conseguimos chegar no 1º piso.
Lá em cima, na minha opinião, não tem muito o que aproveitar além da vista 360°
da cidade toda. Principalmente se você veio de escada, vai sentir que o mérito
do seu esforço não será grandes coisas. Ali, apenas alguns restaurantes,
quiosques de lanches, sorvetes e umas lojas de sourvenirs. Há também um mini
cinema, o Cineiffel, projetando
cenas de filmes onde a famosa torre aparece. Fizemos algumas fotos, recarregamos
o fôlego e subimos mais 340 degraus
até o segundo andar. Ao chegar lá, nos entregamos e compramos uma garrafa de
água a um preço injusto. O 2º andar não difere muito do primeiro em termos de
atrações. A diferença é que este é dividido em duas áreas, superior e inferior.
E claro que a vista é ainda mais completa! Apreciamos a vista, fizemos fotos e
fomos calmamente descer o mundo de degraus de volta ao chão, fazendo uma pausa
no 1º andar para retomar o fôlego.
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| Vista lá de cima da torre |
Subir na torre é algo que tem que ser feito mais por via de
regra do que por apreciação. Particularmente, prefiro apreciá-la vendo-a
inteiramente por fora e, por isso, já lá embaixo nos juntamos aos vários
jovens, casais, famílias, cães e sentamos no gramado aos pés da torre, tomando
deliciosos sorvetes de casquinho. Depois de curtir nosso momento romântico,
voltamos para o hotel para dar um descanso às nossas pernas, e o corpo todo, e
após um breve cochilo e janta, fomos, eu e Rafa, caminhas pela Pigalle. Mais
para não desperdiçar a noite do que por querer andar mesmo. Nos mantivemos pela
avenida do Moulin Rouge e olhamos algumas lojas e casas de show. A fila para
entrada no moinho vermelho era notável. Ele funciona até hoje com os
tradicionais shows de cabaré e can-can, mas o ingresso mais barato custa 97 euros, então por enquanto não vai
rolar. Sentamos num bar do outro lado da rua, de frente para o Moulin Rouge e
pedi uma cerveja “da grande” para nós
dois. O que eu não sabia era que em Paris não era como nos bares que eu costumo
beber na Bélgica. Lá, o copo “grande” é 500ml. Já em Paris, e eu não sabia,
eles tem as medidas pequena, média e
grande, então nos espantamos quando recebemos a caneca, sim, caneca, com 1 litro de cerveja. Não havia nada mais a se fazer a não ser beber!
Detonamos tudo e ficamos até cansados no final.
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| 1 litro de cerveja na caneca |
A programação original do segundo dia era fazer a visita ao Louvre, mas acabamos descobrindo que
estaria fechado e então trocamos com o que seria a programação da quarta: fomos
visitar o Palácio de Versailles.
Apenas uma pequena viagem de carro de mais ou menos meia hora e chegamos até a
frente do Palácio. Pra entrar, uma fila de mais de 2h sob o sol de 35 graus,
sem sombra e sem nuvem! Nos dividimos e Rafa foi pra fila de entrada e eu pra
fila de ingressos, com isso ganhamos pelo menos 1h de vantagem. Compramos o
pacote completo, que inclui a visita ao palácio, aos jardins e aos aposentos de
Maria Antonieta, mas já adianto que não conseguimos ver tudo. O Palácio é
incrivelmente enorme e você se espanta em pensar que aquilo era realmente uma residência. Dá pra morar lá a vida
toda e ainda assim não conhecer tudo. Dentro do palácio, a grande maioria dos
setores (antigos quartos) são basicamente iguais, o que não quer dizer que não
sejam impressionantes e de uma ostentação de fazer inveja. Os que chamam mais
atenção são obviamente os aposentos do Rei e da Rainha, que tinham seus
próprios quartos cada um. Os salões e a catedral impressionam também. Os
primeiros setores mostram as mudanças e o crescimento do palácio ao longo dos
séculos e a cada mudança de rei. Só pra visitar toda a parte interna leva-se
algumas horas e você pode acabar se irritando com a quantidade de orientais
(direi orientais porque não sei
distinguir entre japoneses, chineses, coreanos, etc, só de olhar) e suas
câmeras nervosas. Eles podem ser bastante irritantes e mal educados!
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| Salão no Palácio de Versailles |
À um certo ponto, cansamos de nos espremer entre os
orientais e pulamos umas partes para ir direto aos jardins, onde teríamos
liberdade de caminhar sem esbarrar em ninguém. Para se ter uma ideia, acho que
só as áreas de jardim dariam pra abrigar a população de uma pequena cidade
inteira! É tão absurdo de grande que tivemos que escolher um lado para visitar
e fomos pelo meio. Andamos bastante, nos impressionando a cada 100 metros e
ainda assim não conseguimos ir até o final. Fazia um calor digno de Recife e
sem nenhuma sombra ou nuvem. Paramos em um dos gramados para descansar e
recuperar as forças. De tão cansados de andar, acabamos esquecendo de visitar o
Trianon, onde estão os aposentos de Maria Antonieta, que ficava a mais
alguns minutos de caminhada dentro dos jardins. Voltamos para encontrar meu tio
lá fora e paramos para tomar uma cerveja, pois ninguém é de ferro!
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| Parte dos Jardins do Palácio de Versailles |
Na volta pra casa, passamos na casa de um amigo do meu tio,
o François, e ficamos batendo um
papo, dessa vez com água para recuperar o fôlego. Foi nossa chance de interagir
com um verdadeiro francês! Em todos os outros pontos visitados, só brasileiros
e orientais!
O terceiro dia, conforme a mudança, ficou destinado à visita
ao Museu do Louvre. Chegamos
relativamente cedo e já era possível ver uma fila enorme na entrada principal
(a da pirâmide), que daria no mínimo 2h, embaixo de sol quente. Porém já
tínhamos pego a dica com a minha prima de que havia outra entrada, lateral, que
raramente tinha fila já que todos os turistas desavisados sempre iam pela
entrada principal. Então aqui repasso a dica: se você vai ao Louvre, procura a
entrada pela Porte des Lions, fica
um pouco afastada e numa das laterais do museu. Acho que não gastamos nem 5
minutos para comprar o bilhete e entrar no museu.
Não vale a pena me estender muito sobre as coisas vistas lá,
já que foram por volta de 4 horas de
caminhada dentro do museu. O que vale comentar é que os pontos mais
interessantes são, com certeza, as sessões egípicia e grega. A tão famosa Monalisa, não perca seu tempo. Além de
ser incrivelmente decepcionante, haverá sempre uns 20 metros de gente e câmeras na sua frente e você não consegue ver
nada, pois o quadro é bem pequeno. Outro setor legal é a parte da Mesopotâmia e
ver a pedra do Código de Hamurabi.
Após o museu, já exaustos, saímos pra almoçar e ao todo foram quase 7h de passeio. Não sei como, mas ainda
assim arrumamos força para sair de noite e beber uma cerveja em frente ao
monumento da Bastilha.
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| Interpretação dos hieroglifos no Museu do Louvre |
Nesta noite já não tínhamos mais hotel e fomos dormir em Saint Denis, região mais afastada de
Paris, onde um amigo do meu tio nos cedeu sua casa. No último dia, antes de ir
embora, ainda fomos ver a Catedral de
Notre-Dame, que era o ponto que faltava para fechar nossa visita. Nem
cogitamos entrar, pois a esta altura já quase não tínhamos força pra ficar em
pé, imagine numa fila. Apenas algumas fotos e um sorvete para refrescar e
partimos de volta pra Bruxelas. Nos fartamos da França!
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| Catedral de Notre-Dame |
Esse foi o último destino da nossa viagem. Os próximos dias
seriam aqui mesmo na nossa, então casa,
e aproveitaríamos pra vivenciar a nossa cidade-base com a calma e o prazer que
pretendíamos. Dentro de 5 dias voltamos para o nosso Brasil, com saudades mas ainda com aquele gostinho de quero mais. O importante é que deu tudo
certo e foi massa!
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