Europa 2ª Temporada – Cap. 5: La Barça

A etapa Barcelona já começou bem, nem sequer tive que sair do aeroporto. Desembarquei de Madri e fui direto para o saguão principal onde esperaria pela minha dupla dinâmica. O voo da minha companheira Rafaella chegava em média 1h30m depois do meu, então por lá mesmo fiz um lanche e degustei uma cerveja alemã, a Voll-Damm Doble Malt, enquanto esperava André chegar para recepcionarmos nossa querida. Foi só ela chegar para dar um abraço de matar uma saudade nunca antes tão acumulada, e para deixar pra trás os dias de viajante solitário!


Ao chegar em casa, eu não sabia, mas teríamos por uns dias mais dois companheiros de turismo: Bruna, prima de Rafa que vive na Suíça, e Tomás, seu marido.  Como o dia havia sido de viagem cansativa para todos, nos limitamos apenas a algumas cervejas no bar da esquina, jogando conversa fora.
O dia seguinte já estava valendo e estávamos cheios de gás. Decidimos começar as atividades turísticas indo ao Parque Güell, um enorme parque ao norte de Barcelona inteiramente desenhado pelo lendário arquiteto Antonio Gaudí. Uma área enorme, da qual acho que só vimos uns 30%, com várias estruturas, salões, varandas feitos em mosaicos de cerâmica, louça e porcelena. Pra chegar nele, muitas escadas, rolantes ou não, de fazer até um olindense pedir arrego. O parque fica numa das áreas mais altas da cidade, o que proporciona uma vista maravilhosa de quase toda Barcelona. Já de cara demos na Praça Oval, uma enorma área aberta em areia que provavelmente deve ter sido projetada para receber eventos. Sob a praça fica talvez o mais interessante dos vários pontos que vimos, a Sala Hipóstila de mosaicos no teto e vista incrível. Na parte debaixo, o Pórtico da Lavadeira, tunéis e caminhos feitos em pedra e rocha, um tanto geométricas, que dão um aspecto de gruta às passagens.

Sala Hipóstila

Nós no Pórtico da Lavadeira
De lá, partimos em direção à famosa igreja da Sagrada Família. A distância entre os dois pontos turísticos não era pequena, mas mesmo assim decidimos ir andando. Era uma descida, o que tornou tudo mais fácil e em mais ou menos 25min estávamos lá. Antes mesmo de chegar já possível ver no alto as pontas de suas torres, e estando em frente à ela é impossível não se espantar com sua imponência e riqueza de detalhes. Suas fachadas, realmente altas, de um dos lados principais tem um aspecto belo, limpo e rico em detalhes e esculturas. Pode-se perder horas observando cada ponto. Do outro lado, uma face bem diferente, com aspecto um tanto mórbido e assustador. As paredes possuem uma aparência de terem sido derretidas. Novamente a riqueza de detalhes impressiona.

Lado "belo" da Sagrada Família

Lado "sinistro" da Sagrada Família
À noite, resolvemos dar uma conferida na vida noturna de Barcelona. Como já viajariam no dia seguinte pela manhã, Bruna e Tomás acabaram ficando em casa e fomos só eu e Rafa conhecer a boate Shoko, em plena praia entre a Barceloneta e o Porto Olímpico. Como André, dentre outras atividades, também era promoter da boate, entramos de graça e bebemos vários drinks sem pagar. Lá dentro, nada muito diferente de boates em outros lugares a não ser pelo fato de que era uma segunda-feira e a galera estava em peso, lotando a boate. O clima de pegação era intenso. O destaque da noite foi a performance de um coroa saxofonista que solava em cima das batidas eletrônicas do DJ.

Nós dois "flagrados" pelo "Bob Flash espanhol"
No dia seguinte, fomos eu e Rafa caminhar pela cidade. Começamos pela Praça Catalunya, onde tiramos algumas fotos e seguimos pela La Rambla em direção ao Port Vell. No caminho passamos em frente ao Mercado da Boquería e o Monumento a Colón, também conhecida como Estátua de Cristóvão Colombo. Sobre a Rambla Del Mar, uma passagem que liga a cidade ao Port Vell, tiramos uns momentos para relaxar à beira da água e em meio às muitas gaivotas. Velhinhos sentados em bancos à beira da água davam um clima bucólico à paisagem. Lá mesmo, no enorme complexo do Port Vell (tem cinema, shopping, etc) encontramos uma McDonalds e resolvemos parar para um lanche. Pedimos os tradicionais sanduíches e 2 copos de cerveja. Sim, cerveja! Ou como eu preferi chamar: McBreja. Deviam trazer essa opção pro menu do Brasil também.

McBreja em Barcelona
Após alguns telefonemas nos encontramos com Gabriel, amigo de Rafaella da faculdade, que estava na cidade para um congresso. Subimos novamente pela La Rambla até a Plaça Reial, onde ficamos tomando umas cervejas, botando o papo em dia, e sendo intensamente fumantes passivos. Nunca vi um povo pra fumar tanto como os espanhóis! Não muito tempo depois, André chegou para se juntar à nós e prontamente pedimos uma sugestão de um bar mais interessante ao morador local. Chegamos ao Ovella Negra, um bar com aspecto de Taverno, quase em subsolo, também perto dali. Detrás do grande portão do local, uma grande galera se juntava nas mesas longas para beber jarras de 2 ou 5 litros de cerveja. Cada pedido vinha acompanhado de uma porção de pipoca, grátis, e esse foi o nosso tira-gosto até o fim da noite. Ao fim da nossa jarra, seguimos até a Praça Catalunya onde nos despedimos de Gabriel e pegamos o NIT Bus de volta pra casa.

Nosso último dia em Barcelona foi bastante corrido. Decidimos começar indo ao Parc del Laberint d'Horta, que fica na outra ponta da cidade em relação a onde estávamos. O caminho foi longo mas valeu a pena. O labirinto em si não é tão grande, mas da pra se perder um bocado se não ficar atento. Porém a área do parque é enorme e cheia de novos caminhos a serem descobertos. Algumas construções com ares de Casas Gregas deixam tudo mais bonito e um tanto místico.

André e eu no Labirinto
De lá, mesmo cansados, criamos coragem pra dar uma passada no Camp Nou, famoso estádio do Futbol Clube Barcelona. Não se pode ir até Barcelona e não dar pelo menos uma passadinha lá! Como nenhum de nós é grande fã de futebol, apenas apreciamos tudo por fora mesmo pois, não estávamos afim de pagar uma fortuna para entrar. Tiramos um descanso em casa e de noite fomos conhecer o Montjuic. Em frente ao Castell de Montjuic encontram-se as fontes cantantes, local onde foi registrado o famoso dueto entre Freddie Mercury e cantora lírica Montserrat Caballé. Para nossa falta de sorte, as fontes não estavam ativas nesse dia. Mas mesmo assim a visita vale a pena, o castelo é incrivelmente grandioso e bonito. É curioso pensar na megalomania que tinham os poderosos dos séculos antigos. De lá temos uma vista incrível da cidade inteira. Seguimos um pouco mais até vislumbramos o Estádio Olímpico de Montjuic, construído para as Olimpíadas de 92, juntamente com toda uma estrutura ao redor. Infelizmente ao chegarmos já estava tudo fechado, então só nos restou apreciar de fora.

Castell de Montjuic
Antes de voltarmos pra casa, passamos no bar Castillos, próximo a Praça Catalunya e ao Ovella Negra. O bar é um dos preferidos de André, daqueles ao ponto de já ser amigo do garçom, então nada melhor que isso pra tomarmos mais uma e nos despedirmos de Barcelona.

Deixamos a Espanha com uma grande sensação de satisfação, tanto pelas boas experiências vividas como pelas ótimas companhias que tivemos. Deixamos pra trás o calor para voltar a rotina de casacos e nuvens cinzentas. Em dois dias partimos para Amsterdam.

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