Europa 2ª Temporada - Cap. 8: Bonjour Paris!

Segunda-feira, 23 de Julho, 11:30h da manhã e partimos em direção à cidade da luz, Paris, eu, Rafaella e meu Tio Antonio, nosso guia pelos próximos 3 dias e meio. Após mais ou menos 3 horas de estrada chegamos na capital da França e buscamos encontrar o hotel Villa Van Gogh, que seria nossa residência pelos próximos 2 dias. O hotel ficava cravado bem no coração da região de Pigalle, mais conhecida por abrigar o famoso Moulin Rouge, bem como outros cabarés menos conhecidos. A região é uma espécie de Red Light District de Paris, recheada de sex shops, pubs com acompanhantes, museus eróticos, casas de shows ao vivo e cabarés. Por cabarés, entenda no sentido real da palavra: shows sensuais de dança e musica com nudez parcial. Cabaré não quer dizer casa de strip-tease e nem bordel! Chegamos entre as 15h e 16h da tarde e, como estávamos bem próximos da área de Montmartre, resolvemos começar nossa jornada francesa por ali.


Ladeira por ladeira, subimos até chegarmos à Catedral de Sacre Coeur. Ela fica numa das áreas mais altas de Paris e por isso ganha uma aparência ainda mais imponente. É possível entrar sem pagar nada, apenas não é permitido tirar fotos. Mas mesmo assim, boa parte dos turistas sacava suas câmeras para fotografar o interior da catedral. Do lado oposto, e para quem está saindo de dentro dela, existe uma área com grandes escadarias, jardins e fontes, ligando esta parte superior à inferior. Dessa vez minha visita não tinha pressa, então pude aproveitar com Rafaella para sentarmos um tempo no gramado e em frente à fonte, apreciando a vista de toda Paris. Muitos artistas de rua aproveitam o aspecto bucólico do local para sacar seus instrumentos e fazer suas performances em troca de algumas moedas dos turistas passantes.

Nós junto à Catedral de Sacre Coeur
Antes de ir embora, ainda lá de cima, fui com Rafaella um pouco mais para a direita no mirante, onde de um certo ponto é possível ver lá no meio da paisagem a Torre Eiffel. Esse momento pra mim foi bem emocionante, pois ver a emoção de Rafa ao vislumbrar com seus próprios olhos a Torre pela primeira vez me fez lembrar da sensação que também tive quando vi aquele tão famoso monumento, que crescemos vendo em filmes e fotos, pela primeira vez na minha frente. Me emocionei ao vê-la emocionada, e fiquei feliz de estar ali com ela.

Demos mais umas voltas por aquelas ruas tão clássicas e tradicionais de Montmartre, observando os pintores, restaurantes, e todo aquele ar de anos 20, e descemos para voltar ao hotel para deixar algumas coisas. De lá decidimos que a visita à Torre Eiffel seria neste dia mesmo e então, seguimos de carro até o local. Já ao descer do carro, você se espanta com a grandiosidade do monumento. Por mais que você tenha visto filmes e fotos, não tem como imaginar o quão realmente gigante ela é. A torre parece possuir algum feitiço que te faz querer tirar fotos dela em todos os ângulos a cada 5 minutos. Andamos por sobre o grande gramado, infestado de jovens, casais e amigos, tomando sol e fazendo piquenique, até a área da fila para comprar o ingresso da subida na torre. Lembrava-me da outra visita, que a descida de escada tinha sido bem cansativa, então pensei: “Dessa vez vamos fazer tudo de elevador, não interessa a fila que tenha.”. Porém, andamos, andamos e andamos e não conseguimos achar o fim da fila. Do jeito que estava ali, no mínimo 2h de espera só pra comprar o ingresso! Nós já estamos ali e mudar a programação seria, além de tudo, desperdício de tempo. Ficar naquela fila tampouco iria ser de grande valia, acabaríamos chegando lá em cima já sem sol. Então, contamos até 10, criamos coragem e decidimos: vamos de escada!

Nós aos pés da Torre Eiffel
A flia da subida de escada era infinitamente menor, coisa que resolvemos em uns 10min ou menos. Além disso, não tinha estresse de fila para o elevador afinal, é cada um por si. Rafaella quis filmar nossa subida até o primeiro andar, mas assim como eu previ, não aguentou ficar filmando até lá. Para alcançar o primeiro andar são, mais ou menos, 328 degraus e se você tem vertigem, pode começar a se sentir meio tonto a partir de uma certa altura. As pernas pedem arrego, mas fomos devagarzinho e fazendo pequenas pausas e então conseguimos chegar no 1º piso. Lá em cima, na minha opinião, não tem muito o que aproveitar além da vista 360° da cidade toda. Principalmente se você veio de escada, vai sentir que o mérito do seu esforço não será grandes coisas. Ali, apenas alguns restaurantes, quiosques de lanches, sorvetes e umas lojas de sourvenirs. Há também um mini cinema, o Cineiffel, projetando cenas de filmes onde a famosa torre aparece. Fizemos algumas fotos, recarregamos o fôlego e subimos mais 340 degraus até o segundo andar. Ao chegar lá, nos entregamos e compramos uma garrafa de água a um preço injusto. O 2º andar não difere muito do primeiro em termos de atrações. A diferença é que este é dividido em duas áreas, superior e inferior. E claro que a vista é ainda mais completa! Apreciamos a vista, fizemos fotos e fomos calmamente descer o mundo de degraus de volta ao chão, fazendo uma pausa no 1º andar para retomar o fôlego.

Vista lá de cima da torre
Subir na torre é algo que tem que ser feito mais por via de regra do que por apreciação. Particularmente, prefiro apreciá-la vendo-a inteiramente por fora e, por isso, já lá embaixo nos juntamos aos vários jovens, casais, famílias, cães e sentamos no gramado aos pés da torre, tomando deliciosos sorvetes de casquinho. Depois de curtir nosso momento romântico, voltamos para o hotel para dar um descanso às nossas pernas, e o corpo todo, e após um breve cochilo e janta, fomos, eu e Rafa, caminhas pela Pigalle. Mais para não desperdiçar a noite do que por querer andar mesmo. Nos mantivemos pela avenida do Moulin Rouge e olhamos algumas lojas e casas de show. A fila para entrada no moinho vermelho era notável. Ele funciona até hoje com os tradicionais shows de cabaré e can-can, mas o ingresso mais barato custa 97 euros, então por enquanto não vai rolar. Sentamos num bar do outro lado da rua, de frente para o Moulin Rouge e pedi uma cerveja “da grande” para nós dois. O que eu não sabia era que em Paris não era como nos bares que eu costumo beber na Bélgica. Lá, o copo “grande” é 500ml. Já em Paris, e eu não sabia, eles tem as medidas pequena, média e grande, então nos espantamos quando recebemos a caneca, sim, caneca, com 1 litro de cerveja. Não havia nada mais a se fazer a não ser beber! Detonamos tudo e ficamos até cansados no final.

1 litro de cerveja na caneca
A programação original do segundo dia era fazer a visita ao Louvre, mas acabamos descobrindo que estaria fechado e então trocamos com o que seria a programação da quarta: fomos visitar o Palácio de Versailles. Apenas uma pequena viagem de carro de mais ou menos meia hora e chegamos até a frente do Palácio. Pra entrar, uma fila de mais de 2h sob o sol de 35 graus, sem sombra e sem nuvem! Nos dividimos e Rafa foi pra fila de entrada e eu pra fila de ingressos, com isso ganhamos pelo menos 1h de vantagem. Compramos o pacote completo, que inclui a visita ao palácio, aos jardins e aos aposentos de Maria Antonieta, mas já adianto que não conseguimos ver tudo. O Palácio é incrivelmente enorme e você se espanta em pensar que aquilo era realmente uma residência. Dá pra morar lá a vida toda e ainda assim não conhecer tudo. Dentro do palácio, a grande maioria dos setores (antigos quartos) são basicamente iguais, o que não quer dizer que não sejam impressionantes e de uma ostentação de fazer inveja. Os que chamam mais atenção são obviamente os aposentos do Rei e da Rainha, que tinham seus próprios quartos cada um. Os salões e a catedral impressionam também. Os primeiros setores mostram as mudanças e o crescimento do palácio ao longo dos séculos e a cada mudança de rei. Só pra visitar toda a parte interna leva-se algumas horas e você pode acabar se irritando com a quantidade de orientais (direi orientais porque não sei distinguir entre japoneses, chineses, coreanos, etc, só de olhar) e suas câmeras nervosas. Eles podem ser bastante irritantes e mal educados!

Salão no Palácio de Versailles
À um certo ponto, cansamos de nos espremer entre os orientais e pulamos umas partes para ir direto aos jardins, onde teríamos liberdade de caminhar sem esbarrar em ninguém. Para se ter uma ideia, acho que só as áreas de jardim dariam pra abrigar a população de uma pequena cidade inteira! É tão absurdo de grande que tivemos que escolher um lado para visitar e fomos pelo meio. Andamos bastante, nos impressionando a cada 100 metros e ainda assim não conseguimos ir até o final. Fazia um calor digno de Recife e sem nenhuma sombra ou nuvem. Paramos em um dos gramados para descansar e recuperar as forças. De tão cansados de andar, acabamos esquecendo de visitar o Trianon, onde estão os aposentos de Maria Antonieta, que ficava a mais alguns minutos de caminhada dentro dos jardins. Voltamos para encontrar meu tio lá fora e paramos para tomar uma cerveja, pois ninguém é de ferro!

Parte dos Jardins do Palácio de Versailles
Na volta pra casa, passamos na casa de um amigo do meu tio, o François, e ficamos batendo um papo, dessa vez com água para recuperar o fôlego. Foi nossa chance de interagir com um verdadeiro francês! Em todos os outros pontos visitados, só brasileiros e orientais!

O terceiro dia, conforme a mudança, ficou destinado à visita ao Museu do Louvre. Chegamos relativamente cedo e já era possível ver uma fila enorme na entrada principal (a da pirâmide), que daria no mínimo 2h, embaixo de sol quente. Porém já tínhamos pego a dica com a minha prima de que havia outra entrada, lateral, que raramente tinha fila já que todos os turistas desavisados sempre iam pela entrada principal. Então aqui repasso a dica: se você vai ao Louvre, procura a entrada pela Porte des Lions, fica um pouco afastada e numa das laterais do museu. Acho que não gastamos nem 5 minutos para comprar o bilhete e entrar no museu.

Não vale a pena me estender muito sobre as coisas vistas lá, já que foram por volta de 4 horas de caminhada dentro do museu. O que vale comentar é que os pontos mais interessantes são, com certeza, as sessões egípicia e grega. A tão famosa Monalisa, não perca seu tempo. Além de ser incrivelmente decepcionante, haverá sempre uns 20 metros de gente e câmeras na sua frente e você não consegue ver nada, pois o quadro é bem pequeno. Outro setor legal é a parte da Mesopotâmia e ver a pedra do Código de Hamurabi. Após o museu, já exaustos, saímos pra almoçar e ao todo foram quase 7h de passeio. Não sei como, mas ainda assim arrumamos força para sair de noite e beber uma cerveja em frente ao monumento da Bastilha.

Interpretação dos hieroglifos no Museu do Louvre
Nesta noite já não tínhamos mais hotel e fomos dormir em Saint Denis, região mais afastada de Paris, onde um amigo do meu tio nos cedeu sua casa. No último dia, antes de ir embora, ainda fomos ver a Catedral de Notre-Dame, que era o ponto que faltava para fechar nossa visita. Nem cogitamos entrar, pois a esta altura já quase não tínhamos força pra ficar em pé, imagine numa fila. Apenas algumas fotos e um sorvete para refrescar e partimos de volta pra Bruxelas. Nos fartamos da França!

Catedral de Notre-Dame
Esse foi o último destino da nossa viagem. Os próximos dias seriam aqui mesmo na nossa, então casa, e aproveitaríamos pra vivenciar a nossa cidade-base com a calma e o prazer que pretendíamos. Dentro de 5 dias voltamos para o nosso Brasil, com saudades mas ainda com aquele gostinho de quero mais. O importante é que deu tudo certo e foi massa!

Europa 2ª Temporada - Cap. 7: Une Semaine Belge

Depois de quase 2 semanas pingando por aí, finalmente paramos um pouco aqui em Bruxelas, na Bélgica, nosso porto seguro. Ainda exaustos das caminhadas de Amsterdam nos dias anteriores, nossa segunda-feira foi destinada a uma pequena volta no centro da cidade, apenas. Porém, durante essa semana belga o tempo estava ainda pior que na Holanda e nosso passeio acabou sendo ainda mais curto que o planejado.


Já tínhamos conhecidos os principais pontos, como a Grand Place e o Manenken Pis, no dia-intervalo entre Barcelona e Amsterdam e desta vez decidimos ir ver o Mont des Arts e mais alguma coisa qualquer por ali. O Mont des Arts é uma espécie de jardim ornamentado, muito bonito que fica no caminho entre as partes alta e baixa do centro de Bruxelas. Mesmo com a chuva torrencial foi possível apreciar um pouco da beleza do lugar, vendo de cima. Demos uma pequena volta na Place Royal mas, a chuva estava tão forte, e estávamos ainda cansados das ultimas caminhadas, que desistimos de tudo e resolvemos voltar pra casa. No caminho de volta, Rafaella ainda resolveu ser extravagante e pediu um sorvete num clássico caminhãozinho de praça que não devia estar vendendo nada naquele dia. Ainda no trajeto, pegamos um típico lanchinho belga: batatas fritas no cone, e passamos por uma loja muito legal especializada no personagem Tintin, que pra quem não sabe, é belga com muito orgulho, com direito a museu e tudo.

Nós e o Mont des Arts ao fundo
 Na terça, decidimos (re)visitar o Atomium, um monumento gigante em forma de molécula química feito para a Expo 58, em 1958 em Bruxelas. Eu já o tinha visitado da primeira viagem e Rafaella já o tinha visto no primeiro dia em que esteve em Bruxelas, antes de viajar para Barcelona. Porém ainda não tínhamos ido juntos. Fazia um melhor tempo, sem chuva e com sol aparecendo de vez em quando, então foi uma boa programação. Pegamos o metro e, após uma conexão, descemos em Heysel, onde já saímos no Brupark, área onde fica o Atomium e mais algumas outras atrações como: um cinema, a expo Mini-Europa, e vários restaurantes e bares. Tiramos nossas fotos e fomos até parte de trás onde há um pequeno jardim circular e o acesso a um grande parque, quase uma reserva florestal, que eu não conhecia ainda. Lá curtimos uma caminhada e depois voltamos para tomar uma merecida cerveja num dos bares do Brupark.

De volta ao Atomium
À noite tínhamos o aniversário da minha prima Jaci no Pixel Bar, bem próximo ao Palais de Justice, também pelo centro. Pegamos uma carona com Kris e chegamos um pouco mais cedo que o combinado, então aproveitamos pra dar uma volta no mirante próximo ao palácio e tirar umas fotos da bela vista. Nesse momento um fato curioso aconteceu: enquanto tirávamos uma foto de nós dois no estilo viajantes solitários, esticando o braço e virando a lente para si, um gringo esquisito passou e, balbuciando algo em um idioma não identificado, segurou minha câmera como que para bater a foto por nós. Eu não tinha percebido sua aproximação então, num instinto brasileiro de ser, segurei a câmera com mais força ainda e fiz cara de alerta. Por uns 10 segundos meu cérebro ficou refletindo se aquilo poderia ser um roubo ou bêbado querendo tirar graça, mas no final das contas era apenas um gesto de boa vontade mesmo. Foram segundos bem tensos!

Foto tirada pelo gringo invasivo, estamos meio tensos!
Quanto à festa, digamos apenas que houve uma grande falha na comunicação e ficamos por volta de 1h em frente ao Pixel Bar, que estava fechado, até descobrirmos que o pessoal tinha mudado para o bar da outra esquina. Devido a isso, ficamos apenas uma meia hora pois tínhamos que seguir para pegar o ultimo metrô.

Na quarta, tentamos visitar o castelo de Beersel, que visitei na viagem anterior, mas estava fechado. Para não perder o dia, decidimos na hora ir para Leuven, cidade famosa por ser berço da tão adorada cerveja Stella Artois. A viagem de trem até lá, saindo de Bruxelas, tem uma duração média de 40min e a cidade (ou pelo menos a parte turística) é bem pequena. Sendo assim, tínhamos o suficiente para ocupar nossa tarde. Pegamos o trem, dessa vez prestando bem atenção aos nomes das estações e perguntando em caso de dúvida, e logo logo estávamos lá. Como em várias outras cidades, o ótimo é que a estação fica bem próxima do centro ou, por que não dizer, no centro e por isso foi muito fácil andar por lá. Fizemos um rápido lanche na Quick, que é tipo de McDonalds daqui e seguimos para visitar os principais pontos. Um pouco mais de 2h de caminhada e fizemos toda a visita básica. Havia um palco montado na praça principal, mas não estava tendo nada nesse dia ou chegamos muito cedo. Como a cidade é bem universitária, no verão toda semana tem eventos na praça. Sentamos num dos bares dessa praça pra tomar uma Stella Artois em sua terra mãe, afinal não poderíamos cometer o injurio de não fazer isso, e seguimos pra voltar pra casa.

Stella na terra da Stella
Na quinta, era aniversário de Paulina, minha prima que nos hospeda aqui e que está esperando bebê. Então a pedida era ficar em casa e fazer companhia em família. Ainda assim, meu tio nos levou para uma rápida visita à Waterloo, local da famosa Batalha de Waterloo, onde Napoleão foi oficialmente derrotado. Eu já tinha visitado na viagem anterior, mas só visto de fora e dessa vez fui com Rafaella fazer a subida do monte do Leão de Waterloo. É um grande monte manualmente erguido (grande mesmo: 226 degraus) com uma enorme estatua de um leão no topo, representando a batalha ali ocorrida. O ticket também dá acesso ao Panoramio que é uma sala com um painel 360 graus que tenta fazer você se sentir como se estivesse observando a batalha real, lá do alto. Mas sinceramente, não tem muita graça. Voltamos para casa para dar início aos festejos familiares.

As escada sem fim no monumento de Waterloo
Na sexta, conforme o planejado, tiramos o dia para visitar Bruges, cidade muito bonita e com um ar bastante medieval que é de impressionar. Foi o momento romântico da semana. Já após sairmos da estação e andarmos poucos metros, pudemos parar para fazer um mini piquenique num banquinho em frente a um dos vários canais que cercam a cidade. Bem cena de filme romântico. De lá seguimos para caminhar nas ruas e se impressionar com a beleza das paisagens, tem horas que realmente da pra se sentir em outra época.

Em Bruges
Levei Rafaella para fazer o tour na fábrica de cerveja, que eu havia feito na viagem passada, e dessa vez foi bem mais legal. A guia do tour era bem mais simpática, cativante e com um inglês bem mais acessível. Saímos de lá com a certeza de que a cerveja é a solução para vários problemas! Dentre alguns dos aprendizados, aprendemos que: cerveja é bom para o cabelo, para a menopausa e que, principalmente, beber cerveja na lata ou sem espuma é um crime! A cerveja precisa respirar!

Tentamos visitar um dos bares fortemente indicados por Kris, o Brugs Beertje, mas tivemos azar e estava fechado. Visitamos algumas das várias chocolaterias e vimos chocolates de vários tipos e formas que nunca poderíamos imaginar. Sim, essa forma que você imaginou também! Quando começaram os primeiros sinais da despedida do sol, partimos pra voltar pra casa. Rafaella ainda ficou com medo de termos pego o trem errado, mas a esta altura já estávamos craques e tudo deu certo!

No sábado era Dia Nacional da Bélgica e de tarde fomos com meu tio e seu filho olhar os desfiles e apresentações na rua. O dia nacional aqui é bastante valorizado e tem uma grande participação da população, bem diferente do Brasil. Mas basicamente é um desfile militar, exibindo tanques, helicópteros e aviões de guerra pela cidade. Tentamos com muito suor achar uma bandeirinha da Bélgica pra fazer nossa parte, mas nem conseguimos.

À noite, tínhamos combinado de nos encontrarmos com minha prima Janaína para uma tão esperada noite de farra pelos bares da cidade. A premissa inicial era de ver os fogos da celebração nacional e então ir beber, mas acabamos indo direto para o bar! Nos encontramos no Sablon, uma das principais áreas do centro, e seguimos eu, Rafa, Jana e Sebastian para encontrar Kirsteen e outras duas amigas das meninas: Samantha e Lia. Começamos pelo Bizon, um pub bem maluco muito próximo ao Mappa Mondo, onde eu costumava beber na viagem anterior. A decoração é bem louca com artefatos velhos pendurados nas paredes, desde guitarras até uma motocicleta; e o teto é todo adornado com ingressos de shows de várias bandas do rock. Abrimos tomando uns shots de uma bebida chamada Violet e outra baseada em Pêra. Fizemos careta antes de beber, esperando um efeito como de uma lapada de cana, mas essas desciam bem suave quase sem notar o álcool. Depois continuamos na cerveja: provei uma Palm e depois uma Hoegaarden. De lá seguimos para um outro bar próximo que acabei não pegando o nome. Esse bar tinha um sistema de aquecimento muito interessante que eles põem no terraço, uma espécie de chapas quentes sobre as nossas cabeças. Devido ao frio que fazia, escolhemos aquele. Tomamos duas rodadas de Daiquiris acompanhadas de amendoins picantes. Foi uma rodada bem vermelha. O bar já estava fechando então tivemos que seguir em frente. Foi até o Wax, onde supostamente encontraríamos um amigo da galera. No caminho Samantha e Lia desistiram e foram pra casa, mas conseguimos convencer Kirsteen a ficar conosco sob o argumento de que ela já era nossa favorite gringa e só poderíamos beber de novo com ela dentro pelo menos uns 2 anos. Chegando lá, nem o tal amigo estava e também o lugar estava uma porcaria! Umas 6 pessoas dançando um tuntz-tuntz e só. A entrada foi só 2 euros e nos serviu pelo menos para usar o banheiro. De lá, fomos terminar no Java, também próximo dali. Tomamos uma rodada de shots de uma bebida com leve gosto de chocolate e na superfície uma chama de fogo! Depois continuamos na cerveja. Rafaella, que a esta altura já estava sem medo de se arriscar no inglês, conseguiu pra nós a tão cobiçada bandeirinha da Bélgica, de um gringo desavisado que entrou no bar. Ponto pra ela!

A  conquista da bandeirinha belga 
Às já não sei que horas da madrugada seguimos para casa de Jana, onde apagamos de um jeito que nem notei. No dia seguinte levantamos já perto da hora do almoço e fomos encontrar com Kirsteen e Lia para matar o jejum no restaurante que fica no topo do Museu de Instrumentos Musicais. Feita a ceia, nos despedimos todos e fomos cada um para suas respectivas casas descansar propriamente.

Mantivemos o dia sem maiores extravagâncias pois na manhã seguinte seguiríamos para gastar nossas energinas, e euros, no último destino da viagem: Paris!

Europa 2ª Temporada - Cap. 6: Lost in Holland

Nossa jornada por Amsterdam se mostrou doida já no início, bem no espírito que a cidade sugere. Na volta de Barcelona, antes de irmos pra casa, passamos na estação Gare Du Midi e já garantimos nossas passagens para Amsterdam para dois dias depois. Tivemos a sorte de conseguir uma espécie de “bilhete de final de semana” que nos permitia pegar qualquer trem, de qualquer horário, para ida e volta dentro do sábado e domingo. De malas prontas no sábado, chegamos na estação para pegar nosso trem de destino. Por pouco não pegamos pegamos o trem errado (porém com destino certo), o Thalys que é um trem de grande velocidade. O nosso era o trem normal. Nada que uma pergunta de confirmação ao funcionário da estação não resolvesse. Seguimos para nossa plataforma e pegamos nosso trem em direção à Holanda. Estavamos com muito sono e ainda um tanto cansados de Barcelona, então dormimos a maior parte do trajeto, e quando acordamos foi que começou a aventura. Eu havia me informado que o trajeto era de 3h em média, mas estranhamente com 2h e alguns minutos de viagem paramos numa estação onde grande parte dos passageiros começou a desembarcar. Olhei pela janela e vi um painel onde dizia Amsterdam Centraal, e então pensei: “bom, se não for esta estação pelo menos é melhor se perder na estação central”.


Acontece que (já adiantando a surpresa) na verdade estávamos descendo em Rotterdam, e o letreiro que eu tinha visto indicava o destino do trem em que estávamos! Ou seja, descemos na estação errada! Sem saber disso, seguimos calmamente para fazer um lanche no Burger King e depois pedir informações de como chegar até o albergue. No guichê de informações, vieram os primeiros sinais da nossa cagada: perguntamos sobre onde pegar o Tram 2 ou Tram 5 e estranhamente a funcionária disse não saber da existência dessas duas linhas, mas que deveríamos seguir até determinado ponto onde saiam os Trams e lá perguntar novamente. Certos de que estava tudo ok, fomos até a maquininha para comprar os tickets do Tram. Para nossa sorte, isso mesmo: sorte, compramos os tickets errados! Ao perguntarmos à uma funcionária, ela nos informou  que havíamos comprado os tickets para idosos e crianças e portanto deveríamos ir até o guichê de atendimento e pedir a troca dos tickets, pagando a diferença. O senhor do atendimento era bastante atencioso e trocou nossos tickets sem maiores problemas. Antes de irmos embora, resolvi perguntar a ele se sabia onde poderíamos pegar o Tram 2 ou 5, e ele me informou que essas linhas deixaram de existir há muito tempo. Mais um sinal de que algo estava errado! Então perguntei a ele como poderíamos chegar no endereço do albergue e mostrei o nome da rua. Ele falou que não conhecia e foi procurar no GPS, mas depois de muito tentar e não encontrar, me perguntou qual a cidade. Respondi Amsterdam, ainda sem entender o motivo da pergunta já que nas nossas cabeças isso era óbvio.

Foi então que tivemos a revelação: estávamos em Rotterdam Centraal e não em Amsterdam Centraal. Graças aos tickets errados descobrimos nossa falha! Graças à deus, pra retomar o rumo certo não tivemos grandes problemas. Como nosso ticket era válido para qualquer trem dentro do fim de semana, subimos novamente à plataforma e pegamos o primeiro trem para Amsterdam. Não tivemos que esperar nem 1 minuto.

Veja a distância entre Rotterdam e Amsterdam
Finalmente descemos em Amsterdam, com uma grande sensação de alívio, fomos procurar o albergue. Seguindo as indicações descritas na reserva não tivemos nenhum problema e achamos o local já na primeira tentativa. Já saindo da estação central visualizamos o tão esperado Tram 2 e o pegamos até a Hobbemastraat. De lá voltamos alguns metros até a Vossiusstraat, bem ao lado do Vondelpark, onde ficava nosso albergue: o Flying Pig Uptown.

Flying Pig Hostels
Já no check-in adicionamos mais um item às surpresas da nossa viagem:  o quarto que havíamos reservado sofreu algum tipo de inundação e portanto teríamos que ficar em quartos separados. Bastante chato, mas como iríamos usar o quarto somente pra dormir e tomar banho, relevamos.

O Flying Pig Uptownn é muito bom e tem um clima bastante alto astral. Os quartos eram espaçosos e com banheiro dentro, o que é bastante bom! As áreas comuns dispunham de um bar e uma smoking área, ambos com wi-fi, onde se podia fumar o que quisesse, afinal estamos em Amsterdam.

Após nos acertamos com os quartos e as bagagens, pegamos um mapa e seguimos em direção ao centro. Os mapas que pegamos não ajudavam muito e acabamos andando bem mais que o necessário pra chegarmos até o centro. Até então tudo bem, pois pra quem é turista – principalmente na Europa  –  andar por qualquer rua e ver prédios e coisas diferentes já é um passeio. Porém, isso nos custou uma boa dose de energia. Depois de muito andar e ter a sensação que não chegávamos nunca nos pontos turísticos, finalmente alcançamos o centro da cidade, mais especificamente o Red Light District! Logo começamos a ver as vitrines das garotas de programa e os vários Coffee-shops. Rafaella, que visitava pela primeira vez, se espantou com os tipos estranhos das mulheres das cabines. Eu, como estava na minha segunda visita, já esperava ver coisas bizarras. Mas devo confessar que mesmo já tendo conhecido, é sempre uma coisa muito curiosa de se ver: mulheres gordas, velhas, negras, amarelas, morenas e de todo tipo.  Não é só isso, mas é boa parte. Como já me disse meu amigo Kris: é comércio, então tem que ter opções para todos os mercados.

Rafa em frente às vitrines da Red Light District
Vale ressaltar que nunca visitei o Red Light District durante a noite, quando acredito que o local deva funcionar à todo vapor e com realmente todas (ou quase todas) as garotas. Durante o período da tarde, boa parte das cabines estão com as cortinas fechadas e das que não estão é difícil encontrar uma garota realmente bonita, daquelas que a gente imagina encontrar quando pensa na Europa. No geral, elas não são exatamente oferecidas, há vendedores e garçons de restaurantes muito mais oferecidos! A maioria apenas fica lá na sua “janelinha” numa boa, fazendo as unhas ou conversando ou olhando os passantes, e se um desses se demora mais a olhar de frente pra vitrine, aí sim elas vem interagir.

Garotas da Red Light
Como não podia deixar de ser, tudo ao redor do Red Light District gira em torno do sexo e maconha, então quase impossível não passar por nenhum sex shop, museu erótico ou casas de show de sexo ao vivo. A maioria dos Cafés com uma cara de aconchegantes são coffee-shops e é fácil de perceber só de passar em frente e sentir o cheiro. Ao mesmo tempo, por ali também se tem restaurantes e bares (de verdade) bastante elegantes, afinal não podemos esquecer que estamos à beira de canais recheados de cisnes e patos, barquinhos e casais de namorados. Amsterdam é louca por isso, o constrante entre o bucólico e o escrachado. Tudo no mesmo lugar, você não entende como, mas está lá.

The Bulldog, o Coffee-shop mais antigo
Fizemos uma ronda considerável por ali e com uma ajuda mediana do mapa chegamos até o Monumento Nacional e em frente, a praça onde fica o Madame Toussauds. Nesta praça estava tendo um evento de verão (que estou começando a achar comum por aqui) com futebol de areia numa arena improvisada, onde também tivemos o desprazer de ouvir como trilha da partida, Gustavo Lima e seu tcherere-tche-tche.

Decidimos que iríamos visitar o museu de cera (Madame Tussauds) no dia seguinte, e partimos pra voltar para o albergue a tempo de talvez nos incluirmos em algum Pub Crawl. Acontece que na nossa cabeça o caminho de volta era bastante simples, já que tínhamos conseguido chegar até o centro ainda que com alguns arrodeios. Porém, quanto mais dizíamos: “ah, acho que é por aqui.” e dobrávamos numa determinada rua, tomávamos uma direção errada. E nisso andamos a esmo por quase 1h. Quando decidíamos olhar o mapa, este não era de grande utilidade. Pra cada rua que olhávamos no mapa, encontrávamos mais 3 de nomes parecidos, porém não iguais! Já estávamos de pés doloridos, estressados e descontando um no outro. Depois de muito sofrimento, chegamos num ponto onde o mapa e a realidade convergiram! Descobrimos que boa parte do trajeto estavamos na direção certa e no final escolhíamos o lado errado. Assim nos viramos na direção o oposta e seguimos até o albergue sem erros.

Chegando lá, nada melhor que um bom banho e um breve descanso pra renovar as energias e a paciência. Combinamos de nos encontrar depois no bar no subsolo do albergue. Já era por volta das 21h e ficamos esperando algum sinal de tour ou pub crawl para aquela noite, mas nem sombra. Então decidimos que ficaríamos por ali mesmo já que provavelmente seria e melhor opção por aquelas bandas ou teríamos que andar até o centro, e por hoje já tinha dado. Por 4 euros bebíamos meio litro de uma cerveja alemã que esqueci o nome e por 5 euros, tínhamos uma pizza. Melhor opção, pois poderíamos beber à vontade sem preocupação e quando estivéssemos bêbados ou sonolentos o suficiente era só subir e dormir. Ainda chegamos a dar uma volta pelas ruas próximas mas nada além de muito frio e uns vagabundos falando alto. Voltamos para o bar. Tomamos mais umas 3 e petiscamos uns Dorittos e então subimos pra dormir.

Bar no Flying Pig Uptown
Apesar de quartos separados, a dormida foi sem maiores problemas e nos encontramos no bar do albergue às 9h conforme combinado, para o café da manhã gratuito. O café da manhã era bem completo, com 3 tipos de cereais, 3 tipos de pães, sucos, leite e até Nutella. Se você procura albergue em Amsterdam, o Flying Pig é uma boa opção. Escolha o Downtown se preferir se manter na agitação do centro.
O check-out deveria ser às 10:30h então após o café, fomos fazer hora no Vondelpark, cuja entrada era literalmente a metros do albergue. O parque em si é como quase todos na Europa, muito verde e recheado de praticantes de Cooper e pessoas passeando com seus cães livres. Ah, claro! E bicicletas! Já me disseram que era permitido fazer sexo no parque em Amsterdam, mas não sei se era exatamente este parque e também duvido que alguém arrisque alguma coisa no frio que fazia ali.

Voltamos para fazer o check-out e aproveitamos pra comprar os ingressos para o Madame Tussauds que descobrimos serem mais baratos se comprados através do Flying Pig. Também aproveitamos para perguntar direções até a famosa praça com as grandes letras I Amsterdam, um ponto que não poderíamos deixar de visitar e tirar fotos.

Acontece que continuando nosso azar holandês, a garota da recepção entendeu que queríamos direções até o museu de cera (que ficava lá no centro) e não para as grandes letras, que ficavam a apenas alguns minutos de onde estávamos. Estranhamos o local apontado no mapa por termos estado lá no dia anterior e não termos visto nada, mas se ela tava dizendo quem éramos nós para duvidar? Andamos novamente até o ponto central da cidade, desta vez sem errar pois estávamos experts depois do dia anterior, e chegamos exatamente na área onde fica o Madame Tussauds. Foi então que vimos a confusão que havia sido feita. Como já estávamos ali e com ingressos, resolvemos entrar logo.

Eu e o Chaplin
Pagamos 17 euros cada, via o Flying Pig, e pra nós valeu muito a pena. Curtimos muito! A riqueza de detalhes e a perfeição das estátuas de cera impressiona. Além disso, cada estátua é disposta num ambiente bem contextualizado e que rende boas fotos. Você se diverte também vendo as ideias de fotos das outras pessoas. O tour é disposto de uma forma bem interessante e em algumas partes se tem umas atrações interativas como um quiz de música de uma cantora americana, uma foto-montagem em Chroma-key sua no clipe do Michael Jackson, e um vídeo de cinema mudo com Charles Chaplin, que Rafaella participou. Além disso, alguns personagens dispõem de apetrechos para “caprichar” na sua foto, como um vestido esvoaçante na Marilyn Monroe, o smoking dos James Bond, e o terno branco e chapéu do Michael.

Algumas outras celebridades que encontramos no caminho são: Einstein, Salvador Dalí, Gandhi, Madonna, Freddie Mercury, Elvis Presley, Beyoncé, Beckhamn e até Ronaldinho Gaúcho. Na saída, antes de voltamos para a rua, temos um painel do Homem-Aranha com uma perspectiva interessante, que rende boas fotos!

Ajudando o Homem-Aranha
Saímos e fomos procurar a praça do I Amsterdam. Para economizar pernas, decidimos pegar o Tram novamente até o albergue, já que era próximo. Pegamos a segunda opção, o Tram 5, e tivemos alguns minutos de tensão: no Tram 2, havia uma espécie de Caixa onde podíamos comprar o ticket para trafegar durante uma hora. Mas no Tram 5, após entrarmos não vimos nenhum Caixa. Acontece que no mesmo momento, entraram vários fiscais de transito e saíram pedindo para checar os tickets de cada passageiros. Quando pediram o nosso, falamos que não tínhamos e estávamos justamente querendo comprar, e após arranhar num inglês muito ruim (do guarda) descobrimos que, no Tram 5, deveríamos comprar direto no motorista. Ainda vimos um turista lá levar uma bela multa, mas dessa escapamos.

Descemos próximo e rapidamente chegamos ao local, que fica exatamente em frente ao famoso Museu Van Gogh. O museu vai ficar pra uma próxima, mas curtimos o parque nesta área tiramos as fotos de praxe junto às letras I Amsterdam.

I Amsterdam
Já estávamos mais renovados e não estávamos afim de mais problemas com Trams, então fomos andando novamente até o centro para irmos até a estação central e de volta pra casa. No caminho, demos mais uma volta na Red Light District e estranhamente, neste dia (um domingo), a agitação estava bem maior que no dia anterior. Muito mais gente nas ruas, muito mais mulheres nas vitrines e muito mais bizarrice exposta. Andamos um resto de energia que sobrava, paramos pra uma cerveja e em seguida nos despedimos de Amsterdam. Com o alívio de superar os problemas, com um abuso incrível de bicicletas, e a sensação de que reservamos a quantidade de tempo certa para curtir a visita.

Esta semana a programação será inteiramente Belga. Visitaremos Leuven, berço da Stella Artois, Bruges, desvendaremos mais um pouco os bons lugares de Bruxelas e o que mais vier a aparecer.

Europa 2ª Temporada – Cap. 5: La Barça

A etapa Barcelona já começou bem, nem sequer tive que sair do aeroporto. Desembarquei de Madri e fui direto para o saguão principal onde esperaria pela minha dupla dinâmica. O voo da minha companheira Rafaella chegava em média 1h30m depois do meu, então por lá mesmo fiz um lanche e degustei uma cerveja alemã, a Voll-Damm Doble Malt, enquanto esperava André chegar para recepcionarmos nossa querida. Foi só ela chegar para dar um abraço de matar uma saudade nunca antes tão acumulada, e para deixar pra trás os dias de viajante solitário!


Ao chegar em casa, eu não sabia, mas teríamos por uns dias mais dois companheiros de turismo: Bruna, prima de Rafa que vive na Suíça, e Tomás, seu marido.  Como o dia havia sido de viagem cansativa para todos, nos limitamos apenas a algumas cervejas no bar da esquina, jogando conversa fora.
O dia seguinte já estava valendo e estávamos cheios de gás. Decidimos começar as atividades turísticas indo ao Parque Güell, um enorme parque ao norte de Barcelona inteiramente desenhado pelo lendário arquiteto Antonio Gaudí. Uma área enorme, da qual acho que só vimos uns 30%, com várias estruturas, salões, varandas feitos em mosaicos de cerâmica, louça e porcelena. Pra chegar nele, muitas escadas, rolantes ou não, de fazer até um olindense pedir arrego. O parque fica numa das áreas mais altas da cidade, o que proporciona uma vista maravilhosa de quase toda Barcelona. Já de cara demos na Praça Oval, uma enorma área aberta em areia que provavelmente deve ter sido projetada para receber eventos. Sob a praça fica talvez o mais interessante dos vários pontos que vimos, a Sala Hipóstila de mosaicos no teto e vista incrível. Na parte debaixo, o Pórtico da Lavadeira, tunéis e caminhos feitos em pedra e rocha, um tanto geométricas, que dão um aspecto de gruta às passagens.

Sala Hipóstila

Nós no Pórtico da Lavadeira
De lá, partimos em direção à famosa igreja da Sagrada Família. A distância entre os dois pontos turísticos não era pequena, mas mesmo assim decidimos ir andando. Era uma descida, o que tornou tudo mais fácil e em mais ou menos 25min estávamos lá. Antes mesmo de chegar já possível ver no alto as pontas de suas torres, e estando em frente à ela é impossível não se espantar com sua imponência e riqueza de detalhes. Suas fachadas, realmente altas, de um dos lados principais tem um aspecto belo, limpo e rico em detalhes e esculturas. Pode-se perder horas observando cada ponto. Do outro lado, uma face bem diferente, com aspecto um tanto mórbido e assustador. As paredes possuem uma aparência de terem sido derretidas. Novamente a riqueza de detalhes impressiona.

Lado "belo" da Sagrada Família

Lado "sinistro" da Sagrada Família
À noite, resolvemos dar uma conferida na vida noturna de Barcelona. Como já viajariam no dia seguinte pela manhã, Bruna e Tomás acabaram ficando em casa e fomos só eu e Rafa conhecer a boate Shoko, em plena praia entre a Barceloneta e o Porto Olímpico. Como André, dentre outras atividades, também era promoter da boate, entramos de graça e bebemos vários drinks sem pagar. Lá dentro, nada muito diferente de boates em outros lugares a não ser pelo fato de que era uma segunda-feira e a galera estava em peso, lotando a boate. O clima de pegação era intenso. O destaque da noite foi a performance de um coroa saxofonista que solava em cima das batidas eletrônicas do DJ.

Nós dois "flagrados" pelo "Bob Flash espanhol"
No dia seguinte, fomos eu e Rafa caminhar pela cidade. Começamos pela Praça Catalunya, onde tiramos algumas fotos e seguimos pela La Rambla em direção ao Port Vell. No caminho passamos em frente ao Mercado da Boquería e o Monumento a Colón, também conhecida como Estátua de Cristóvão Colombo. Sobre a Rambla Del Mar, uma passagem que liga a cidade ao Port Vell, tiramos uns momentos para relaxar à beira da água e em meio às muitas gaivotas. Velhinhos sentados em bancos à beira da água davam um clima bucólico à paisagem. Lá mesmo, no enorme complexo do Port Vell (tem cinema, shopping, etc) encontramos uma McDonalds e resolvemos parar para um lanche. Pedimos os tradicionais sanduíches e 2 copos de cerveja. Sim, cerveja! Ou como eu preferi chamar: McBreja. Deviam trazer essa opção pro menu do Brasil também.

McBreja em Barcelona
Após alguns telefonemas nos encontramos com Gabriel, amigo de Rafaella da faculdade, que estava na cidade para um congresso. Subimos novamente pela La Rambla até a Plaça Reial, onde ficamos tomando umas cervejas, botando o papo em dia, e sendo intensamente fumantes passivos. Nunca vi um povo pra fumar tanto como os espanhóis! Não muito tempo depois, André chegou para se juntar à nós e prontamente pedimos uma sugestão de um bar mais interessante ao morador local. Chegamos ao Ovella Negra, um bar com aspecto de Taverno, quase em subsolo, também perto dali. Detrás do grande portão do local, uma grande galera se juntava nas mesas longas para beber jarras de 2 ou 5 litros de cerveja. Cada pedido vinha acompanhado de uma porção de pipoca, grátis, e esse foi o nosso tira-gosto até o fim da noite. Ao fim da nossa jarra, seguimos até a Praça Catalunya onde nos despedimos de Gabriel e pegamos o NIT Bus de volta pra casa.

Nosso último dia em Barcelona foi bastante corrido. Decidimos começar indo ao Parc del Laberint d'Horta, que fica na outra ponta da cidade em relação a onde estávamos. O caminho foi longo mas valeu a pena. O labirinto em si não é tão grande, mas da pra se perder um bocado se não ficar atento. Porém a área do parque é enorme e cheia de novos caminhos a serem descobertos. Algumas construções com ares de Casas Gregas deixam tudo mais bonito e um tanto místico.

André e eu no Labirinto
De lá, mesmo cansados, criamos coragem pra dar uma passada no Camp Nou, famoso estádio do Futbol Clube Barcelona. Não se pode ir até Barcelona e não dar pelo menos uma passadinha lá! Como nenhum de nós é grande fã de futebol, apenas apreciamos tudo por fora mesmo pois, não estávamos afim de pagar uma fortuna para entrar. Tiramos um descanso em casa e de noite fomos conhecer o Montjuic. Em frente ao Castell de Montjuic encontram-se as fontes cantantes, local onde foi registrado o famoso dueto entre Freddie Mercury e cantora lírica Montserrat Caballé. Para nossa falta de sorte, as fontes não estavam ativas nesse dia. Mas mesmo assim a visita vale a pena, o castelo é incrivelmente grandioso e bonito. É curioso pensar na megalomania que tinham os poderosos dos séculos antigos. De lá temos uma vista incrível da cidade inteira. Seguimos um pouco mais até vislumbramos o Estádio Olímpico de Montjuic, construído para as Olimpíadas de 92, juntamente com toda uma estrutura ao redor. Infelizmente ao chegarmos já estava tudo fechado, então só nos restou apreciar de fora.

Castell de Montjuic
Antes de voltarmos pra casa, passamos no bar Castillos, próximo a Praça Catalunya e ao Ovella Negra. O bar é um dos preferidos de André, daqueles ao ponto de já ser amigo do garçom, então nada melhor que isso pra tomarmos mais uma e nos despedirmos de Barcelona.

Deixamos a Espanha com uma grande sensação de satisfação, tanto pelas boas experiências vividas como pelas ótimas companhias que tivemos. Deixamos pra trás o calor para voltar a rotina de casacos e nuvens cinzentas. Em dois dias partimos para Amsterdam.

Europa 2ª Temporada - Cap. 4: ¡YO FUI!

Sábado, 7 de Julho, talvez o dia mais esperado da viagem. Acordei um pouco tarde devido ao horário de chegada do dia anterior. Para não perder mais tempo fui logo tomar meu banho e comer alguns mini-croissants com queijo. Como não teria o dia todo dessa vez, não podia perder muito tempo... apenas passei na recepção pra ver se encontrava alguns dos novos amigos de ontem. Não encontrei ninguém então segui novamente sozinho pra caminar pela cidade.


Dessa vez segui na direção inversa, com destino inicial na Plaza Mayor. A praça é realmente bem grande e bonita, mas a vista foi um pouco prejudicada por uma estrutura montada para algum tipo de apresentação teatral: cadeiras e estruturas de ferro tomavam conta da praça. Lá, obviamente, muito turistas. Mulheres caracterizadas como dançarinas de Flamenco ofereciam fotos aos turistas, bem no estilo Baianas de Salvador. De lá segui em frente para a Plaza de San Miguel e Plaza de La Villa, dessa vez munido de um mapa! Essas praças eram bem menores mas igualmente bonitas, acho que sou eu que tenho um certo apreço por praças mesmo... talvez pela falta delas em Recife.

Plaza Mayor
Já chegando ao fim da Calle Mayor já avistei a Catedral de La Almudena, uma enorme construção de proporções incríveis. Ao lado dela, seguindo mais um pouco, cheguei ao pátio que fica entre a catedral e o Palácio Real. Um espaço enorme que trazia uma certa paz. Tirei algumas fotos e me sentei nas escadarias da entrada frontal da catedral, onde um senhor  Acordeonista muito bom tocava sucessos como Besa-me Mucho, Sole Mio, e outros clássicos; e recebia moedas dos turistas, crianças e adultos, maravilhados. Segui em frente passando pela Plaza de Oriente até os Jardins de Sabatini. A essa altura já estava morto de fome e parei ali mesmo num restaurante em frente para almoçar. Comi uma lasanha e Zumo de Naranja que estavam exatamente do tamanho da minha fome! Feita a Siesta, segui meu rumo já mirando a volta pro albergue pois queria dar uma descansada antes da grande noite. No caminho ainda passei na Plaza de España onde foi bem difícil tirar fotos junto aos monumentos, devido a quantidade de turistas na vez. Segui pela Gran Vía até Plaza de Callao e voltei para o albergue.

Jardins de Sabatini
Antes de me por para descanso, parei um pouco para usar os computadores do albergue e saber notícias do mundo. Enquanto estava lá, escutei na salinha ao lado 2 cariocas comentando sobre o Rock in Rio. Prontamente me juntei a conversa perguntando se eles iam novamente naquela noite, estava garantida minha companhia para o evento, com meus novos recém-amigos. Esse é o bom de albergues, basta um interesse em comum para se fazer amigos, ainda que só dure até o dia seguinte. Mas quem liga?

Ficamos conversando sobre o evento e viagens até a hora de ir para a Ciuldad Del Rock. Muni-me da minha camisa do Incubus e fomos embora pegar o metrô em direção ao estádio Santiago Bernabéu, o conhecido estádio do Real Madrid, de onde sairiam os ônibus gratuitos até Arganda Del Rey, onde ficava o evento.  Nem no terminal de integração eu tinha visto tanto ônibus reunido, nem nunca tinha visto uma fila de gente tão grande. Pra minha sorte, o tamanho da fila era proporcional à velocidade em que ela andava. Ainda bem que na Europa as coisas são organizadas, ninguém furava fila e a organização da equipe do evento não deixava a fila demorar muito.

Fila para o embarque ao Rock in Rio Madrid
De lá até o local da Ciuldad Del Rock, arrisco dizer que foram entre 30 a 40min de estrada. Mais uma vez notei a diferença entre Brasil e Europa: num ônibus cheio de rockeiros viajando durante 40min, ninguém fazia barulho, baderna e nem botava o celular pra tocar musica. Pelo contrário, o silêncio e o respeito eram tão grandes que deu até um pouco de sono.

Chegamos em Arganda Del Rey e o local mais um enorme deserto! A Cidade do Rock era um oásis no meio de tanta sequidão. Descemos do ônibus e ficamos um tempo lá em frente, debaixo de uma sombra e bebendo, já que as bebidas não eram permitidas de entrar no festival. Fiquei apenas pouco tempo lá fora, o primeiro show começava as 20:45h e percebi que os cariocas que me acompanhavam estavam interessados mesmo apenas na atração principal. Como eu queria viver a experiência do festival como um todo, me despedi dos caras e segui para a entrada, já presumindo que dali em diante não encontraria mais ninguém.
Já na entrada, uma fonte enorme com o logo do festival dava às boas vindas aos rockeiros! Todos tirando fotos, era parada obrigatória antes de começar a curtição. Não podia ficar de fora então, arranhei meu portunhol e pedi a um passante para tirar uma foto minha também.

Yo fui a Rock in Rio Madrid! Por un mundo mejor!
Já dentro do recinto, dei uma rápida volta pelos estandes da área, comprei minha primeira cerveja – 500ml, 4 euros – e fui logo para frente do palco, me posicionar para o show de Gogol Bordello.
Poucos minutos depois, uma contagem regressiva no telão, acompanhada em uníssono pelos espectadores, e começa o primeiro show.

Descrever o show e o som de Gogol Bordello é uma tarefa difícil. Apenas arrisco dizer que é muito bom! Uma vez li em algum lugar alguém dando o rótulo de Cigano-Punk, mas acho que é mais fácil dizer que é uma grande confusão sonora... que dá muito certo! Na banda com Acordeom, violino, violão, percurssao e integrantes da Ucrânia, Rússia, China e Equador, não se entende muito bem o que está acontecendo, e as vezes nem que idioma está sendo cantado... você apenas sente que aquilo tá muito divertido e que é pra pular também! Se eu que sou do Brasil e to acostumado com misturas, adorei, nem preciso dizer que os gringos piraram. As músicas transitam entre Reggae, Punk, Música Folclórica e outros. Um maluco sem camisa e de gravata amarrada na cabeça liderava tudo isso.

Gogol Bordello no palco do Rock in Rio Madrid
Terminado o show, pensei em ficar logo por ali para o show de Incubus, mas seria injusto curtir esse momento tão esperado sem tomar mais uma cerveja. Fui ao estande de bebidas mais próximo, comprei minha cerveja e rapidamente voltei para a frente do palco. Avancei até onde foi possível dosar entre vista e espaço. Queria ter ficado mais perto, mas também não queria ficar sem poder me mexer. Acabei num lugar à media distancia e um pouco pra esquerda. Bom o suficiente pra mim.
Já começava a escurecer quando a banda começou a mandar uma intro. Gritos de euforia acompanharam a entrada dos integrantes do palco, logo vi que eu não era o único que estava ali por eles. Começam os acordes de Privillege e o show tá valendo! Foi uma surpresa pra mim pois essa música geralmente não recebe muito foco em show da banda para festivais. Mas para um grande fã, foi um presente!

En la Ciuldad del Rock
Durante quase 1h30m pulei e cantei até ficar rouco absolutamente todas as músicas, com aquela euforia de fã que reconhece a próxima música já no primeiro acorde. A receptividade do público foi bem maior do que eu esperava e a interação da banda também. A quem possa interessar (provavelmente, só eu), o repertório do show foi este:

Privilege
Megalomaniac
Adolescents
Pardon Me
Made For TV Movie
Circles
Are You In?
A Kiss to Send us Off
In The Company of Wolves
Drive
Anna Molly
Talk Shows on Mute
Love Hurts
Nice to Know You
Sick Sad Little World

Ao fim do show do Incubus eu já estava com a sensação de satisfeito e de missão cumprida. Aproveitei pra pegar minha ultima cerveja, comer alguma coisa e dar uma volta enquanto não começavam os Red Hot Chili Peppers. No meio da caminhada encontrei nada menos que uma micro escola de samba! Ela fazia parte de um stand que promovia o Brasil e sorteava viagens para o Rock in Rio, do Rio, no ano que vem. Me diverti vendo os gringos pirarem no som característico da nossa terrinha.

Jose Pasillas, do Incubus. Grande ídolo
Soam os primeiros sons no Palco Mundo que anunciavam a entrada do Red Hot Chili Peppers no palco. Até pensei em ficar por ali, de longe mesmo, pois estava realmente satisfeito com tudo o que tinha visto até agora. Mas então refleti: “poxa, já to aqui! Não custa nada ir lá pra frente.”. Dessa vez o mar de gente diante do palco já era bem maior então decidi tentar chegar mais perto pela direita. Mas uma vez fiz a dosagem vista-espaço e parei num lugar que considerei bom. A não ser pela maldita grua que vez por outra resolvia se posicionar na frente da gente.

O show do RHCP não tem nem o que dizer, é jogo ganho. Mesmo sem ser grande fã você percebe que conhece praticamente todas as músicas. Sem contar que a presença de palco dos caras é de prender a atenção. O show é completo, com sucessos, baladas, solos de guitarra, baixo e bateria. Um rápido Bis no final pra mandar Give It Away e eles se despedem de Madri. Fogos de artifício anunciam o fim do show. Até as 5h da manhã ainda rolaria a apresentação do DJ Deadmau5, mas acho que 80% dos presentes não estavam mais interessados depois dos grandes shows que vimos.

RCHP no Rock in Rio Madrid
Ainda pensei em tentar curtir um pouco mais da cidade do rock, mas já era por volta das 3h da manhã e o caminho de volta era longo. Dei um tempo e segui para o ônibus que nos deixaria de volta no estádio Santiago Bernabéu. A viagem de volta pareceu mais curta devido aos cochilos e então desembarquei do ônibus para procurar um taxi, já que não havia mais metrô a essa hora. Sem esperança de encontrar os brasileiros de novo, peguei o primeiro taxi que ficou disponível e curiosamente era uma mulher de motorista. Não vemos muito isso pelo Brasil. Ela ainda tentou puxou alguma conversa, mas como meu espanhol não é dos melhores e já estava bem sonolento, me bastei a dizer que “no hablo muy bien español”. 11,50 euros depois, desci de volta no albergue, onde dormi do jeito que estava pois organizar bolsos e roupas daria muito trabalho e acordaria os outros.  No dia seguinte, check out bem cedo e partida de volta para Barcelona, para agora sim conhecer de verdade.

Europa 2ª Temporada - Cap. 3: ¡Enhorabuena!


Começando a etapa Espanha da viagem, já preciso adiantar que terei que ser mais suscinto. Muito tempo fora e já muita coisa pra contar. No dia 04 de Julho, por volta das 19h parti para o Aeroporto em direção a Barcelona. Meus temores se mostraram infundados, uma vez que não tive problema nenhum para entrar na Espanha. Como vinha de Bruxelas, desembarquei em Barcelona direto, sem controle de imigração e livre como um europeu nativo. Cheguei próximo à meia noite e lá estava André, pai da minha namorada, para me receber. Ele será  o anfitrião dessa etapa espanhola.
Como cheguei tarde, já não tinha mais metrô e então tivemos que ir pra casa nos Nit Bus, que são ônibus noturnos, no que seria o “Bacurau” em Recife. Pegamos uma linha até a Praça Catalunya, de onde saiem outras linhas para toda Barcelona. Pegamos a outra linha e chegamos em casa, já por volta das 1h e pouca. Devido à hora, nada muito a se fazer a não ser uma pouca conversa e dormir.
No dia seguinte tivemos apenas uns passeios leves, já que no dia seguinte eu seguiria para Madri bem cedo. Como André tinha algumas coisas pra resolver, fui com ele para conhecer alguns pontos. Passamos em Barcelonita, uma área de praia, onde pude ver que é o que realmente bomba por aqui. Os gringos não economizam nas poucas roupas e no clima de festa. Além de tudo, muitas boates pela área indicando que a noite ali deve ser agitada.
Eu e André, meu "cunhado"
Antes de voltar pra casa, passamos no Mercado de La Boqueria. Um mercado no melhor estilo do Mercado da Madalena ou Encruzilhada, onde podemos comprar frutas, verduras, carnes e outros ingredientes por um preço mais justo. Aparentemente os turistas europeus tem algum fascínio por mercados, pois vi muitos não-espanhóis lá dentro tirando foto. Pra mim, apesar de bonito, era uma coisa perfeitamente comum. Seguimos pra casa onde comemos uma ótima picanha feita pelo Fabiano, amigo carioca do André que também vive por aqui. Antes de encerrar o dia, demos mais uma volta pela cidade e voltamos para dormir, já que amanhã viajaria cedo para Madri.
Saímos cedo na sexta feira em direção ao aeroporto. Como o sistema de metrô aqui é bastante eficiente, chegamos no aeroporto a tempo, sem dores de cabeça. Me despedi de André e segui para o embarque. Achei o esquema de embarque do aeroporto de Barcelona meio zoneado... A área de controle de raio-x é a mesma para todos os voos, apenas depois de passar é que se segue para o seu portão. Fora isso, meu cartão dizia Gate AB, e portanto presumi que deveria ir em direção aos portões A. Fiz isso e andei quase o leste inteiro do aeroporto enquanto passava pelos portões A1 ao A55 e então concluí que não era bem por ali. Voltei o caminho todo e agora segui para os portões B, onde no caminho achei um painel que dizia meu portão exato: B37. Tanto no embarque quanto na chegada em Madri, mais uma vez meus temores foram infundados: não tive qualquer problema com imigração e entrada pelo temido aeroporto de Barajas. Dessa vez, e pela primeira vez, desembarcava em uma cidade estrangeira totalmente por conta própria e para ficar.

Como manda o protocolo, fui ao balcão de informações turísticas e perguntei como chegar de metrô até o meu albergue. A informação da funcionária basicamente consistiu em dizer “siga as plaquinhas indicando a direção do metrô e lá embaixo você pergunta.” Ou seja, não serviu de nada. Cheguei na área de embarque pro metrô e fui mais uma vez pedir informação. O nível de utilidade dessa ação foi quase zero. A atendente falava um inglês pior que o meu e não soube me dizer exatamente como chegar até meu destino. No final das contas, ela chamou um rapaz madrilenho que estava por lá e este me ajudou pelo menos a comprar os bilhetes. Como ele também não falava inglês, o papo se resumiu a dizer que sou do Brasil e o gringo falar “Ah! Caipirinha, Samba!”, como manda o figurino.
Depois dessas tentativas frustradas, achei melhor seguir o roteiro que dizia na minha reserva do albergue. Fiz isso e deu muito certo! De repente estava desembarcando na estação Sol, em plena Puerta Del Sol, uma das principais praças de Madri, a poucos metros do Hostel One na Calle Del Carmen onde me hospedei.
Calle Del Carmen, rua do Hostel One

Já na subida encontrei 2 caras também chegando, que minutos depois descobri também serem brasileiros, de São Paulo. Eram o Renato e o Augusto, que mais tarde naquele dia iriam ser minhas companhias pelo role da noite. O albergue fazia jus a sua pontuação no site: muito legal, muito limpo e com um staff muito gente boa. Já no check-in recebemos um cadeado para o armário do quarto, onde deixamos 10 euros que nos são devolvidos na hora do checkout, como num esquema de caução.
Fui levado até o meu quarto, nº 29, um 4 bed mixed dorm e lá estava o Mikael. Me apresentei e descobri que ele era da África do Sul e que trabalhava lá mesmo no albergue. Me contou que no quarto também tinha mais 2 garotas brasileiras, as quais so conheci um pouco mais tarde. Depois de me arranjar na minha cama, fui logo tratar de tomar um banho pois havia andado bastante e o calor em Madri não era de Deus. Por 2 euros aluguei uma toalha lá mesmo, que ficou comigo até a hora de ir embora. Meu primeiro banho foi “no seco” já que esqueci de comprar shampoo e sabonete. Na verdade não tava nem aí, queria mesmo era matar o calor. Quando voltei ao quarto conheci a Renata e a Natália, ambas de São Paulo, estudantes de Moda e Arquitetura respectivamente. As duas também tinham se conhecido por lá.

Feito a social, segui para caminhar pela cidade pois já havia perdido muito tempo. Na saída, acabei esquecendo de pegar um mapa na recepção. Como não tava afim de pagar por um na rua, e nem tava afim de voltar lá, decidi andar ao acaso mesmo. Comecei pela Puerta Del Sol, que ficava “na esquina de casa”. Uma praça enorme e muito bonita onde se encontram as estátuas do Oso y el Madroño, e Carlos III. Na praça também haviam vários caras fantasiados de personagens diversos, como Super Mario, Tartarugas Ninja, Hello Kitty e etc. Acabei não descobrindo a razão disso. Segui acima pela Calle Mayor, ainda sem saber que era ela, e fui andando até dar uma volta e sair terminar na Plaza Del Callao onde estava acontecendo uma espécie de evento promocional de cinema, com projeção ao vivo na parede e uma limusine estacionada.

Puerta del Sol

Oso y el Madroño

Depois de muito andar, já estava morto de fome e resolvi comer alguma coisa. Tava afim de provar algo diferente, mas claro que dentro do meu seleto gosto culinário. Acabei no KFC, uma espécie de fast-food inteiramente baseado em Frango. Coisa bem americana, com aqueles baldes de frango assado para comer com a mão e tudo. Pedi um Menu Fillet e me impressionei com a americanidade do lanche: um sanduichão com carne caindo do pão, pacotão de batata e um copo de Pepsi de quase 1L. Depois de comer até cansar, ainda faltava boa parte da batata e do refrigerante. Um árabe que estava na rua veio me incomodar para pedir um gole e como eu já estava inchado, dei o resto do lanche todo pra ele e segui meu caminho. Antes de voltar passei no supermercado El Corte Inglés pra comprar meus suprimentos: Sabonete, pasta de dente, 2L de água, mini-croissants, manteiga e queijo. Foi tão barato que nem lembro quanto paguei.
Lanchinho bem americano

De volta no albergue, descobri que o programa da noite era a ida ao Teatro Kapital. Concentração à partir das 22h na recepção onde seriamos levados pelo Mark, uma espécie de guia de farra lá do albergue. Voltei para o meu quarto pra descansar e depois me preparar para o passeio. Como estava sozinho, e tinha o Rock in Rio pra ir no dia seguinte, nada melhor que pegar esse tour pra conhecer uma galera descobrir alguém que também fosse pro evento pra eu não ir sozinho. Além do que, não tinha porque não aproveitar essa oportunidade.

Por volta das 21h, desci pra recepção onde já tinha uma galera aquecendo com as cervejas do albergue. Por 1 euro, podíamos pegar uma cerveja na geladeira de lá. Lá reencontrei o Renato e o Augusto, os brasileiros que conheci no check-in. Conhecemos também a Raquel, outra paulista que encantou o inglês de Manchester, Aushly. Aparentemente, Raquel não foi muito com a cara do gringo, que era meio esquisito, e esquivou todas suas investidas. Para se ter uma ideia, conversei mais de meia hora com ele, onde falamos sobre o nossos países, sobre futebol, os tipos de beleza das mulheres das nossas cidades e etc, dentre um elogio e outro que o gringo fazia à Raquel. Em um dado momento, Aushly saiu para buscar outra cerveja e quando voltou, me pus a continuar o papo com ele normalmente. De repente, o gringo me vem com as perguntas do tipo: “So, where are you from?”, “And your name is?”, “Is your city close to Rio?” e outras várias pergunta que já havia sido feitas na primeira meia hora de conversa. Por um momento até cheguei a cogitar que talvez fosse outro gringo ali, já que as vezes eles parecem todos iguais... mas não. Acho que ele tinha algum tipo de dislexia, fiquei meio assustado com aquilo, então me saí e segui conversando com o grupo dos paulistas.

Pouco tempo depois chegou Mark pra levar a turistada toda pra rua. Uns 15 minutos de caminhada e chegamos no Teatro Kapital, que segundo Mark, é a melhor boate da Europa. De fato, era um lugar foda! 7 andares de boate, cada um com um ambiente diferente. Pagamos 15 euros na entrada com direito a 2 bebidas. Ficamos juntos eu, Renato e Augusto já que Raquel acabou por, digamos: ficar bem próxima de Mark. Me reservei apenas aos meus 2 drinks já que uma cerveja era a bagatela de 10 euros.
Renato, Augusto e eu no Teatro Kapital

Demos um tempo no último andar onde era a área aberta para fumantes, um lugar altamente elegante onde as pilastras eram neon e palmeiras adornavam toda a área. Um pouco depois descemos para o primeiro piso, onde agora a pista de dança já estava cheia. Nessa pista tinha uma espécie de canhão de vapor frio que atirava uma jorrada de fumaça fria sobre a cabeça da galera na pista, conforme a música. A esta altura, Augusto e Renato já estavam no brilho e afim de caçar. Já era bem tarde e eu vi que ali a coisa ia se estender bastante ainda. Então me despedi dos caras e segui pro albergue. Na saída, achei melhor pegar um taxi, ainda com aquela desconfiança que sempre carregamos ao pegar um taxi em Recife. Mas foi tranquilo, mesmo sendo turista, o taxista não me enrolou e me deixou na Puerta Del Sol e paguei apenas 4,50 euros.
Teatro Kapital
Já era bem tarde e pra não acordar a galera do quarto, dormi com tudo no bolso mesmo. Abrir o armário seria muita sacanagem. Fui dormir do jeito que estava, pois amanhã era o dia de realizar um sonho: assistir o show de Incubus no Rock in Rio Madrid...