Nossa jornada por Amsterdam
se mostrou doida já no início, bem no espírito que a cidade sugere. Na volta de
Barcelona, antes de irmos pra casa, passamos na estação Gare Du Midi e já garantimos nossas passagens para Amsterdam para
dois dias depois. Tivemos a sorte de conseguir uma espécie de “bilhete de final de semana” que nos
permitia pegar qualquer trem, de qualquer horário, para ida e volta dentro do
sábado e domingo. De malas prontas no sábado, chegamos na estação para pegar
nosso trem de destino. Por pouco não pegamos pegamos o trem errado (porém com
destino certo), o Thalys que é um trem de grande velocidade. O nosso era o
trem normal. Nada que uma pergunta de confirmação ao funcionário da estação não
resolvesse. Seguimos para nossa plataforma e pegamos nosso trem em direção à
Holanda. Estavamos com muito sono e ainda um tanto cansados de Barcelona, então
dormimos a maior parte do trajeto, e quando acordamos foi que começou a
aventura. Eu havia me informado que o trajeto era de 3h em média, mas estranhamente com 2h e alguns minutos de viagem paramos numa estação onde grande
parte dos passageiros começou a desembarcar. Olhei pela janela e vi um painel
onde dizia Amsterdam Centraal, e
então pensei: “bom, se não for esta
estação pelo menos é melhor se perder na estação central”.
Acontece que (já adiantando a surpresa) na verdade estávamos
descendo em Rotterdam, e o letreiro
que eu tinha visto indicava o destino
do trem em que estávamos! Ou seja, descemos na estação errada! Sem saber disso,
seguimos calmamente para fazer um lanche no Burger King e depois pedir informações de como chegar até o
albergue. No guichê de informações, vieram os primeiros sinais da nossa cagada: perguntamos sobre onde pegar o Tram 2 ou Tram 5 e estranhamente a
funcionária disse não saber da existência dessas duas linhas, mas que
deveríamos seguir até determinado ponto onde saiam os Trams e lá perguntar
novamente. Certos de que estava tudo ok,
fomos até a maquininha para comprar os tickets do Tram. Para nossa sorte, isso mesmo: sorte, compramos os
tickets errados! Ao perguntarmos à uma funcionária, ela nos informou que havíamos comprado os tickets para idosos e crianças e portanto deveríamos
ir até o guichê de atendimento e pedir a troca dos tickets, pagando a
diferença. O senhor do atendimento era bastante atencioso e trocou nossos tickets
sem maiores problemas. Antes de irmos embora, resolvi perguntar a ele se sabia
onde poderíamos pegar o Tram 2 ou 5, e ele me informou que essas linhas
deixaram de existir há muito tempo. Mais um sinal de que algo estava errado!
Então perguntei a ele como poderíamos chegar no endereço do albergue e mostrei
o nome da rua. Ele falou que não conhecia e foi procurar no GPS, mas depois de
muito tentar e não encontrar, me perguntou qual a cidade. Respondi Amsterdam, ainda sem entender o motivo
da pergunta já que nas nossas cabeças isso era óbvio.
Foi então que tivemos a revelação: estávamos em Rotterdam Centraal e não em Amsterdam Centraal. Graças aos tickets
errados descobrimos nossa falha! Graças à deus, pra retomar o rumo certo não
tivemos grandes problemas. Como nosso ticket era válido para qualquer trem
dentro do fim de semana, subimos novamente à plataforma e pegamos o primeiro
trem para Amsterdam. Não tivemos que esperar nem 1 minuto.
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| Veja a distância entre Rotterdam e Amsterdam |
Finalmente descemos em Amsterdam, com uma grande sensação de
alívio, fomos procurar o albergue. Seguindo as indicações descritas na reserva
não tivemos nenhum problema e achamos o local já na primeira tentativa. Já
saindo da estação central visualizamos o tão esperado Tram 2 e o pegamos até a Hobbemastraat.
De lá voltamos alguns metros até a Vossiusstraat,
bem ao lado do Vondelpark, onde
ficava nosso albergue: o Flying Pig
Uptown.
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| Flying Pig Hostels |
Já no check-in adicionamos mais um item às surpresas da
nossa viagem: o quarto que havíamos reservado
sofreu algum tipo de inundação e portanto teríamos que ficar em quartos
separados. Bastante chato, mas como iríamos usar o quarto somente pra dormir e
tomar banho, relevamos.
O Flying Pig Uptownn é
muito bom e tem um clima bastante alto astral. Os quartos eram espaçosos e com
banheiro dentro, o que é bastante bom! As áreas comuns dispunham de um bar e
uma smoking área, ambos com wi-fi,
onde se podia fumar o que quisesse, afinal estamos em Amsterdam.
Após nos acertamos com os quartos e as bagagens, pegamos um
mapa e seguimos em direção ao centro. Os mapas que pegamos não ajudavam muito e
acabamos andando bem mais que o necessário pra chegarmos até o centro. Até
então tudo bem, pois pra quem é turista – principalmente na Europa
– andar por
qualquer rua e ver prédios e coisas diferentes já é um passeio. Porém, isso nos
custou uma boa dose de energia. Depois de muito andar e ter a sensação que não chegávamos
nunca nos pontos turísticos, finalmente alcançamos o centro da cidade, mais especificamente
o Red Light District! Logo começamos
a ver as vitrines das garotas de programa e os vários Coffee-shops. Rafaella, que visitava pela primeira vez, se espantou
com os tipos estranhos das mulheres das cabines. Eu, como estava na minha
segunda visita, já esperava ver coisas bizarras. Mas devo confessar que mesmo
já tendo conhecido, é sempre uma coisa muito curiosa de se ver: mulheres
gordas, velhas, negras, amarelas, morenas e de todo tipo. Não é só isso, mas é boa parte. Como já me disse
meu amigo Kris: é comércio, então tem que ter opções para todos os mercados.
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| Rafa em frente às vitrines da Red Light District |
Vale ressaltar que nunca visitei o Red Light District
durante a noite, quando acredito que o local deva funcionar à todo vapor e com
realmente todas (ou quase todas) as garotas. Durante o período da tarde, boa parte
das cabines estão com as cortinas fechadas e das que não estão é difícil
encontrar uma garota realmente bonita, daquelas que a gente imagina encontrar
quando pensa na Europa. No geral, elas não são exatamente oferecidas, há
vendedores e garçons de restaurantes muito mais oferecidos! A maioria apenas fica lá na
sua “janelinha” numa boa, fazendo as unhas ou conversando ou olhando os
passantes, e se um desses se demora mais a olhar de frente pra vitrine, aí sim
elas vem interagir.
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| Garotas da Red Light |
Como não podia deixar de ser, tudo ao redor do Red Light
District gira em torno do sexo e maconha, então quase impossível não passar por
nenhum
sex shop, museu erótico ou
casas de show de sexo ao vivo. A maioria dos
Cafés com uma cara de aconchegantes são
coffee-shops e é fácil de perceber só de passar em frente e sentir
o cheiro. Ao mesmo tempo, por ali também se tem restaurantes e bares (de
verdade) bastante elegantes, afinal não podemos esquecer que estamos à beira de
canais recheados de cisnes e patos, barquinhos e casais de namorados. Amsterdam
é louca por isso, o constrante entre o bucólico e o escrachado. Tudo no mesmo
lugar, você não entende como, mas está lá.
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| The Bulldog, o Coffee-shop mais antigo |
Fizemos uma ronda considerável por ali e com uma ajuda
mediana do mapa chegamos até o Monumento
Nacional e em frente, a praça onde fica o Madame Toussauds. Nesta praça estava tendo um evento de verão (que
estou começando a achar comum por aqui) com futebol de areia numa arena
improvisada, onde também tivemos o desprazer de ouvir como trilha da partida,
Gustavo Lima e seu tcherere-tche-tche.
Decidimos que iríamos visitar o museu de cera (Madame Tussauds)
no dia seguinte, e partimos pra voltar para o albergue a tempo de talvez nos
incluirmos em algum Pub Crawl.
Acontece que na nossa cabeça o caminho de volta era bastante simples, já que tínhamos
conseguido chegar até o centro ainda que com alguns arrodeios. Porém, quanto
mais dizíamos: “ah, acho que é por aqui.”
e dobrávamos numa determinada rua, tomávamos uma direção errada. E nisso andamos
a esmo por quase 1h. Quando
decidíamos olhar o mapa, este não era de grande utilidade. Pra cada rua que olhávamos
no mapa, encontrávamos mais 3 de nomes parecidos, porém não iguais! Já
estávamos de pés doloridos, estressados e descontando um no outro. Depois de
muito sofrimento, chegamos num ponto onde o mapa e a realidade convergiram!
Descobrimos que boa parte do trajeto estavamos na direção certa e no final escolhíamos
o lado errado. Assim nos viramos na direção o oposta e seguimos até o albergue
sem erros.
Chegando lá, nada melhor que um bom banho e um breve
descanso pra renovar as energias e a paciência. Combinamos de nos encontrar
depois no bar no subsolo do albergue. Já era por volta das 21h e ficamos esperando algum sinal de tour ou pub crawl para
aquela noite, mas nem sombra. Então decidimos que ficaríamos por ali mesmo já
que provavelmente seria e melhor opção por aquelas bandas ou teríamos que andar
até o centro, e por hoje já tinha
dado. Por 4 euros bebíamos meio litro de uma cerveja alemã que esqueci o nome e
por 5 euros, tínhamos uma pizza. Melhor opção, pois poderíamos beber à vontade
sem preocupação e quando estivéssemos bêbados ou sonolentos o suficiente era só
subir e dormir. Ainda chegamos a dar uma volta pelas ruas próximas mas nada
além de muito frio e uns vagabundos falando alto. Voltamos para o bar. Tomamos
mais umas 3 e petiscamos uns Dorittos
e então subimos pra dormir.
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| Bar no Flying Pig Uptown |
Apesar de quartos separados, a dormida foi sem maiores
problemas e nos encontramos no bar do albergue às 9h conforme combinado, para o
café da manhã gratuito. O café da manhã era bem completo, com 3 tipos de cereais,
3 tipos de pães, sucos, leite e até Nutella.
Se você procura albergue em Amsterdam, o Flying
Pig é uma boa opção. Escolha o Downtown
se preferir se manter na agitação do centro.
O check-out deveria ser às 10:30h então após o café, fomos fazer hora no Vondelpark, cuja entrada era literalmente a metros do albergue. O
parque em si é como quase todos na Europa, muito verde e recheado de
praticantes de Cooper e pessoas
passeando com seus cães livres. Ah, claro! E bicicletas! Já me disseram que era
permitido fazer sexo no parque em Amsterdam, mas não sei se era exatamente este
parque e também duvido que alguém arrisque alguma coisa no frio que fazia ali.
Voltamos para fazer o check-out e aproveitamos pra comprar
os ingressos para o Madame Tussauds
que descobrimos serem mais baratos se comprados através do Flying Pig. Também
aproveitamos para perguntar direções até a famosa praça com as grandes letras I Amsterdam, um ponto que não poderíamos
deixar de visitar e tirar fotos.
Acontece que continuando nosso azar holandês, a garota da recepção
entendeu que queríamos direções até o museu de cera (que ficava lá no centro) e
não para as grandes letras, que ficavam a apenas alguns minutos de onde estávamos.
Estranhamos o local apontado no mapa por termos estado lá no dia anterior e não
termos visto nada, mas se ela tava dizendo quem éramos nós para duvidar?
Andamos novamente até o ponto central da cidade, desta vez sem errar pois estávamos
experts depois do dia anterior, e
chegamos exatamente na área onde fica o Madame Tussauds. Foi então que vimos a confusão
que havia sido feita. Como já estávamos ali e com ingressos, resolvemos entrar
logo.
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| Eu e o Chaplin |
Pagamos 17 euros cada, via o Flying Pig, e pra nós valeu
muito a pena. Curtimos muito! A riqueza de detalhes e a perfeição das estátuas
de cera impressiona. Além disso, cada estátua é disposta num ambiente bem
contextualizado e que rende boas fotos. Você se diverte também vendo as ideias de
fotos das outras pessoas. O tour é disposto de uma forma bem interessante e em
algumas partes se tem umas atrações interativas como um quiz de música de uma
cantora americana, uma foto-montagem em Chroma-key
sua no clipe do Michael Jackson, e
um vídeo de cinema mudo com Charles
Chaplin, que Rafaella participou. Além disso, alguns personagens dispõem de
apetrechos para “caprichar” na sua foto, como um vestido esvoaçante na Marilyn Monroe, o smoking dos James Bond, e o terno branco e chapéu do
Michael.
Algumas outras celebridades que encontramos no caminho são: Einstein, Salvador Dalí, Gandhi, Madonna,
Freddie Mercury, Elvis Presley, Beyoncé, Beckhamn e até Ronaldinho Gaúcho. Na saída, antes de
voltamos para a rua, temos um painel do Homem-Aranha
com uma perspectiva interessante, que rende boas fotos!
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| Ajudando o Homem-Aranha |
Saímos e fomos procurar a praça do I Amsterdam. Para economizar pernas, decidimos pegar o Tram
novamente até o albergue, já que era próximo. Pegamos a segunda opção, o Tram 5, e tivemos alguns minutos de tensão:
no Tram 2, havia uma espécie de Caixa
onde podíamos comprar o ticket para trafegar durante uma hora. Mas no Tram 5, após
entrarmos não vimos nenhum Caixa. Acontece que no mesmo momento,
entraram vários fiscais de transito e saíram pedindo para checar os tickets de
cada passageiros. Quando pediram o nosso, falamos que não tínhamos e estávamos justamente
querendo comprar, e após arranhar num inglês muito ruim (do guarda) descobrimos
que, no Tram 5, deveríamos comprar direto no motorista. Ainda vimos um turista
lá levar uma bela multa, mas dessa escapamos.
Descemos próximo e rapidamente chegamos ao local, que fica
exatamente em frente ao famoso Museu Van
Gogh. O museu vai ficar pra uma próxima, mas curtimos o parque nesta área
tiramos as fotos de praxe junto às letras I
Amsterdam.
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| I Amsterdam |
Já estávamos mais renovados e não estávamos afim de mais
problemas com Trams, então fomos andando novamente até o centro para irmos até
a estação central e de volta pra casa. No caminho, demos mais uma volta na Red Light District e estranhamente,
neste dia (um domingo), a agitação estava bem maior que no dia anterior. Muito
mais gente nas ruas, muito mais mulheres nas vitrines e muito mais bizarrice
exposta. Andamos um resto de energia que sobrava, paramos pra uma cerveja e em
seguida nos despedimos de Amsterdam. Com o alívio de superar os problemas, com
um abuso incrível de bicicletas, e a sensação de que reservamos a quantidade de
tempo certa para curtir a visita.
Esta semana a programação será inteiramente Belga. Visitaremos
Leuven, berço da Stella Artois, Bruges,
desvendaremos mais um pouco os bons lugares de Bruxelas e o que mais vier a aparecer.