Pois é, agora começou pra valer! E já foram tantas observações pra contar que da ate medo de esquecer algum detalhe importante. Eis então que este modesto nordestino realmente saiu de Recife com destino a Europa... vou logo pular a parte do stress pré-embarque que envolve todo o pacote com direito a pais nervosos, coisas pra resolver de ultima hora e o fato de que antes de viajar tudo o que eu consegui comer foi uma coxinha. Sim, isso mesmo, honrei meus atos de ralé até o ultimo momento! Quem de vocês já ouviu falar de uma pessoa prestes a embarcar pra Europa fazer um lanche com “coxinha”. Estilo: ou você tem, ou você não tem.
Vamos pular também a parte da inspeção de bagagem e detector de metal, que me fez tirar até o cinto da calça, pra não ficar muito extenso. Também nem vale a pena falar do Duty Free, carinhosamente conhecido como Free Shop. Depois de todas as mil fantasias que eu já havia criado sobre essa maravilhosa loja onde uma câmera digital custaria o mesmo que um Vale C da EMTU, chego lá e constato que é tudo praticamente o mesmo preço que nas lojas comuns da cidade. A não ser pela ilusão causada pelo valor estar escrito em dólar. Eu, pirangueiro de sangue que sou, fiz a conversão pra saber se tava em conta.
Chegando no avião, entrei eu todo feliz pra procurar o meu querido lugar. Lugar este que eu havia prontamente garantido através do check-in online pra ter certeza que não ia cair num lugar ruim. Mas a vida, meus amigos, é uma caixinha de surpresas! Acontece que o tal do desenhozinho do avião que aparece no check-in online não é nem um pouco o retrato da realidade. Havia eu escolhido o meu lugarzinho no canto direito do avião, lado do corredor e na ala da frente. Melhor que isso só se ninguém sentasse na cadeira do lado, o que não aconteceu.
O que aconteceu é que fui eu contando a numeração até chegar na minha cadeira e percebi que a mesma simplesmente era a ultima do corredor da primeira ala, o que significa que atrás dela está a parede e portanto o ângulo de reclinação do encosto é bastante reduzido. Como se não bastasse, era simplesmente do lado do banheiro. Sim, o Wanderley Cardoso (WC). Pra ser sincero no começo eu achei até legal. Pelo menos não teria que fazer os 100 metros rasos (com barreiras) toda vez que quisesse fazer um xixi. Mas esse pensamento só durou até subir a primeira catinga de merda e permanecer lá durante todo o trajeto. Sem contar que todos os passageiros resolviam encher a bexiga ao mesmo tempo, formando uma fila do INSS na frente da minha poltrona.
Esquecendo um pouco esses pormenores, devo dizer que fiquei maravilhado com a tecnologia a bordo. Telinhas touch-screen em todas as poltronas, com opções de música, jogos e filmes. “Tá, grandes merdas” você pensa. Mas o “tchan” da coisa é que tudo podia ser controlado através de um controlezinho que era ao mesmo tempo controle remoto, teclado de computador, joystick e leitor de cartão de crédito. Vai ter pena!! E os filmes eram só lançamentos e filmes que estão no cinema. Achei foi ruim.
Logo me apaixonei pela telinha, mas tenho que confessar que passei mais de uma hora tentando descobrir como eu ia fazer pra escutar o que tavam falando no filme, já que eu virei aquele multi-controle em todas as direções procurando uma entrada de fone de ouvido. Matuto mode: on.
Logo depois da minha odisséia tecnológica, chegou a aeromoça com um fone de ouvido especial que ligava no braço da cadeira. Pense no luxo.
Por falar em paixão e em aeromoça, fui atendido pela aeromoça mais simpática e linda que tinha na tripulação. E ela falando com aquele sotaque “purrrtugueishh” dava um charme a mais.
E já que eu toquei nesse assunto, acho que a coisa mais curiosa dessa viagem até então foi esse tal desse sotaque de Português. Eu simplesmente não entendia NADA!!! É como uma mistura do seu porteiro falando, com uma pessoa mascando caramelo. O engraçado era que eu mesmo sendo brasileiro, tinha que esperar a hora em que eles falavam a mesma coisa em inglês pra poder entender.
O vôo Recife-Lisboa dura por volta de 7h. Sabendo disso, eu prontamente me preparei pra não dormir durante o dia inteiro pra na hora do vôo bater aquele sono pesado e eu só acordar na aterrissagem. Acontece que não tem condição nenhuma de conseguir dormir dentro do avião. Além do fato de eu estar de porteiro da fossa e minha cadeira topar na parede, ainda tinha uma coroa do meu lado e o ar-condicionado fazia um frio da Sibéria! Foi um tal de vira pra La e pra Ca a noite todinha e dormir que é bom nada. Já sei que na próxima eu quero é sentar na fila do meio que se eu der sorte vou ocupar é 4 cadeiras!!
Agora estou eu aqui no aeroporto de Lisboa, sem acesso a internet (tem que comprar “credito”) e com 3h de espera pela frente.
Vou encerrar por aqui, porque já ta bem extenso e a segunda parte da ida eu conto em outro post.
Mas já to adorando isso aqui, ta cheio de loiras lindas falando francês e fazendo biquinho!

"cheio de loiras lindas falando francês e fazendo biquinho!" Bléé.. Como se aqui não tivesse isso... Hahahahahaha