Um das definições do dicionário Aurélio – Zona: Bras. A parte da cidade onde funciona o baixo meretrício. Mas para nós pernambucanos a palavra Zona pode ter vários outros significados, e ontem eu consegui encontrar mais um. Chama-se: Amsterdam!
Eu posso nunca ter rodado o mundo inteiro, mas posso dizer, sem medo de errar, que você não vai encontrar nenhum outro lugar como Amsterdam. Só pra começar você tem uma cidade onde é permitido fumar maconha, desde que nos locais próprios pra isso, e onde a prostituição é uma profissão legalizada. Ao longo do texto vamos vendo o que mais.
Saindo de Bruxelas são em média 3h de carro até Amsterdam, e já nos primeiros olhares sobre a cidade já pude perceber como os holandeses são diferentes. Vi muitos prédios com arquiteturas esquisitas, visuais estranhos... nada de prédios quadradões em formato de caixote. Não sei como eles fazem, mas tinha prédios nas formas mais diferentes possíveis... provavelmente um sonho pros estudantes de arquitetura.
Estacionamos o carro num shopping que fica bem ao lado do estádio do AJAX, e passando em frente notamos um enorme aglomeração de pessoas por ali. Presumimos logo que iria rolar algum evento naquele dia. Um pouco depois, observando os cartazes e as camisetas do povo, descobrimos que se tratava de um show do U2, com abertura do Snow Patrol. Eram uma e pouca da tarde e já tinha uma fila enorme em frente ao portão, sentados com banquinhos, lancheiras e todo o aparato de quem vai passar horas esperando. Os shows so começavam perto das 20h, mas estavam todos lá firmes e fortes.
Estádio do Ajax
Multidão esperando o U2
Seguimos de metrô até o centro de Amsterdam e chegando lá já se notava que a grande maioria do povo era turista. Cheguei a identificar duas gaúchas pelo sotaque. Amsterdam é uma cidade muito bonita, mas como não podia deixar de ser, é bastante marginalizada. O metrô, assim como a maioria das paredes, é cheio de pichações. Também percebi muito “alma-sebosa” andando pelas ruas, mas claro que eles são muito mais chiques e estilosos que os do Brasil.
À primeira vista, Amsterdam é uma cidade difícil de entender. A maior parte do que eles vendem como “turismo” é justamente tudo aquilo que aqui a gente consideraria de mau-gosto. A maioria dos sourvenirs são relacionados à maconha e às prostitutas, vi também uns cartões postais onde as fotos eram de uma vaca defecando, ou de partes íntimas ou mulheres em poses eróticas.
Lá o uso da maconha é legalizado, desde que seja feito dentro dos “coffeshops”. São como pequenos pubs, especialmente preparados pra você fumar seu cigarrinho-do-capeta e fazer um lanchinho depois. Existem muitas lojas, bem organizadinhas até, que vendem sementes e diferentes tipos da erva pra você escolher como se fosse um shopping mesmo. Eles tem também tudo baseado em maconha: bolos, pirulitos, pastilhas, etc. Não é difícil dobrar um esquina e sentir bem forte aquele cheiro característico. Eles tem até um Museu!
"Coffeshops"
Loja de sementes de Cannabis. "Don't buy fake!" dizia o slogan.
Amsterdam também é curioso pela quantidade de sex shops e casa de shows eróticos, sexo explicito e outras coisas que é melhor nem dizer. É tudo absurdamente escancarado, com vitrines enormes com fotos pornográficas ou produtos sexuais e não interessa se você vai passar por ali com suas crianças (e sim, muita gente passeia com as crianças por lá mesmo assim). É tudo tão explicito que você chega a ter de um lado um restaurante comum, pra jantar, e colado nele uma casa de shows eróticos ou um sex shop. Essa região “cabaré”, como diria meu amigo Gustavo, é chamada de Red Light District e é justamente lá que estão as famosas vitrines com as prostitutas se oferecendo em plena luz do dia. Eles ficam em cabines minúsculas, parecidas com aquários, sentadas num banquinho com roupas mínimas ou lingeries esperando por um cliente. Não sei se tem um quarto normal por trás da porta ou sei lá o que, não consegui entender bem como funciona. E tudo como se fosse uma simples contratação de serviço, os homens chegam lá e negociam o preço na maior tranqüilidade com elas. Parece que você contratando o pintor da sua casa.
Ao contrário do que eu pensava, as “cabines de luz vermelha” não ficam apenas numa rua. Elas ficam em várias ruas, nas ruas mais estreitas e becos tem uma maior concentração de cabines mas também é possível ver algumas nas ruas que ficam de frente para o rio que percorre a cidade, próximas a restaurantes e coffeshops. Acho que nesse dia eu não tava com muita sorte porque não consegui ver muitas delas, a maioria tava com a cortininha fechada ou não tava na frente quando eu passei. Sim, também não é permitido tirar fotos das cabines e das moças, então pra ter alguma lembrança tive que dar um “jeitinho brasileiro” e tirei uma foto meio de esquina que dá pra ver mais ou menos como é.
Red Light District
Amsterdam tem realmente muita coisa pra se ver, andamos por várias horas e ainda fiquei com a sensação de que não vi tudo. Mas também fiquei um pouco decepcionado porque não vi nada daquela história de ser uma das 10 cidades com mais mulher bonita no mundo. Leuven ainda é a minha preferida até agora. Mas com certeza foi um dos melhores passeios até agora.
Na volta passamos mais uma vez em frente ao show do U2 e o tumulto já tava bem maior, a sujeira e a baderna são iguaizinhas a como acontece no Brasil. O clima tava tão contagiante que até tentamos conseguir ingressos, mas só achamos gente vendendo 2, e nós estávamos em 3, então não deu.
Saindo de Amsterdam, após mais 3h de viagem de volta fomos direto para a festa de celebração do dia nacional da Bélgica numa praça próxima ao elevador panorâmico. Como é de praxe aqui, muita cerveja e muita fritura! Chegando lá descobrimos que a banda da noite era nada mais, nada menos que The Magical Flying Thunderbirs, a mesma que tocou em Leuven. I mean... can get any better than this?! Melhor que isso só se a Miss Bélgica tivesse lá do meu lado. Como já era de se esperar, outro showzaço! E só pra citar, algumas musicas que eu não citei no outro post porque não sei de quem são mas todo mundo conhece: “Tainted Love”, aquela “Please dont go... dont gooooooo” e “Let´s get started” do Black Eyed Peas.
Cerveja e batata frita. Lanche obrigatório em festas belgas!
Hoje o dia vai ser pra relaxar e juntar energias pra a temporada numa das maiores cidades do mundo, Londres, que começa amanhã. Ainda não sei se vou continuar postando freqüentemente de lá pois não sei se vou levar o computador e também não sei como são as coisas lá na casa.
Mas vamos ver no que vai dar!!

menino, pela tua descrição amsterdam me pareceu mais bizarra do que eu imaginava. hahaha sem noção total.
então quer dizer que tu ta se sentindo em casa por aí né: cerveja e batata frita! isso a gente já consome toda sexta-feira! hahah
beijo mudoo