Auf Wiedersehen, Berlin! - Europa parte 14

Na quarta-feira levantamos e dessa vez seguimos a brilhante idéia de fazer compras no supermercado da esquina para abastecer nosso café da manhã. Como todo bom turista, não tivemos muito luxo: leite, cereal, iogurte, pão, presunto e queijo; estes últimos também para garantir a alimentação durante a caminhada que estava por vir.

Como se diz no Nordeste: “comida no fundo, pé no mundo”, seguimos nossa trilha até Alexander Platz (local este que já tínhamos passado andando no dia anterior) e dessa vez resolvemos ir de Double Decker, também conhecido como ônibus (o de dois andares), pois assim poderíamos aproveitar pra ir vendo a cidade lá de cima.

No nosso destino ficava a TV Tower, uma torre de televisão bastante alta que muito lembra a CN Tower de Toronto (apesar de não ter ido lá ainda) e de onde se pode ter uma vista panorâmica de Berlim. Kris estava com um desejo inabalável de ir até o topo da torre mas para sua desgraça e decepção, após perguntar o preço descobriu que custava “Ten fu**ing euros!” (nas palavras dele mesmo). Somos turistas mas não somos bestas, então apenas seguimos a caminhada após um breve cafézinho.

Chegamos até o Altes Museum, o qual havíamos passado em frente no dia anterior mas agora viemos para entrar. Na portaria pude fazer uso da minha Carteira de Estudante Internacional (ISIC) e só paguei 4€. Nem sempre ela é aceita, mas às vezes é bastante útil. Ainda mais considerando que eu nem sou mais estudante (mas não contem a nenhum europeu até o dia 25)!

Pra ser bem sincero, o Altes Museum não é lá grandes coisas e acho que em mais ou menos meia hora vimos tudo. Chegamos até a dizer que ia entrar na nossa lista de places-not-to-go!

Lá dentro, a grande maioria dos objetos expostos eram antiguidades gregas. Muitos vasos, ferramentas, objetos de adorno e até uma tumba em mármore. Vi algumas pequenas colunas legitimamente gregas, vi armaduras e elmos (destruídos ou não) dos tempos do império, vi colares, pulseiras e outros adornos feitos em legítimo ouro maciço! É impressionante como é bonito, não é à toa que até dominarem os diamantes o ouro era a maneira mais fácil de se conquistar as mulheres.

Dentre as pouquíssimas antiguidades egípcias, vi a famosa estátua do rosto de Nefertiti, esposa do faraó Akhenaton. Um dos pontos mais fotografados!

Mais a frente tínhamos um salão enorme e muito bonito com as estátuas dos Doze Deuses Gregos, aproveitei a oportunidade pra fazer uma fezinha com os dois mais importantes: Afrodite, deusa do amor; e uma palavrinha com Zeus, pais de todos os deuses; só pra reforçar!

Afrodite e Zeus


Apenas um pouco mais de passeio e já tínhamos visto tudo! Então se você gosta de museus e tem pouco tempo em Berlim, fica a dica: não perca seu tempo no Altes Museum!

Para esquecer a frustração nada melhor do que tomar uma gelada! Sendo assim, fomos mais uma vez procurar o tal do Irish Pub, que ninguém sabia informar onde era e que, pra achar, tivemos que andar até nossos pés dizerem “chega”. O bar era até bem decorado e bonito mas, em termos de animação o clima tava competindo com um cemitério! Resolvemos dar uma segunda chance para o pub, pois de fato ainda era cedo e na quarta-feira não tinha música ao vivo. Sendo assim, tomamos apenas uma e prometemos voltar no dia seguinte à noite e com música ao vivo!

Voltamos ao hotel para um breve descanso e ao entardecer seguimos à procura de outros bares. Seguindo as dicas do livro fomos até um bar em estilo americano chamado Gainsbourg, que de fato era até bom mas, era mais freqüentado por pessoas de 30 anos acima e por isso não me identifiquei tanto. Mas pelo menos pude provar uma cerveja verde!

De lá ainda paramos em outro bar, este um tanto mais jovem chamado Schwarzes Café, que era até legalzinho com pouca luz, mesas iluminadas por velas e um banheiro esquisito que parecia uma mistura de filme de terror com discoteca. Mas também não era muito animado não. Sendo assim resolvemos terminar a noite no melhor bar de Berlim: o terrace do albergue!

O dia seguinte, e último dia de passeio já que na sexta só daria tempo de comer e sair, foi o dia de conhecer o consagrado Zoológico de Berlim! Mais uma vez minha ISIC me salvou de pagar 12 euros e saí pagando apenas nove.

Pra mim foi um dos melhores passeios, mas não vou me estender muito na descrição pois daria pra escrever uns dois textos só sobre ele, e nem todos que lêem isso acham muita graça em animais. Mas só pra resumir, o mais interessante do passeio (umas 4h em média pra ver tudo) foi, claro, ver os animais que não temos no zoo de Recife: o elefante e seu respectivo filhotinho, muito engraçados jogando areia em si mesmos com a tromba; o rinoceronte que nem era tão grande quanto eu pensava (talvez o de Berlim seja pequeno); o hipopótamo que apesar de termos em Recife, o de lá era absurdamente grande! A zebra que de tão bonita parece que foi pintada à mão; a águia americana impressionantemente linda, grande e imponente; os lobos canadenses trabalhando em equipe e os adoráveis pingüins africanos que se exibiam para os visitantes e ainda deixavam que a gente tocasse neles quando passavam! Os pingüins-imperadores, por serem de áreas muito geladas, ficavam em um aquário especial refrigerado e só podíamos ver através do vidro.

Pinguim!

Mais exibidos que os pingüins, só as focas. Elas são verdadeiras artistas fazendo nado sincronizado na piscina e é incrivelmente suave a maneira como elas nadam, tanto que fiquei até com vontade de dar um mergulho também. De tão exibidas, em um certo momento uma delas subiu na borda, fez uma pose por mais ou menos 5 segundos e deslizou de barriga novamente pra água. Eu que estava no momento exato, fui sagaz e consegui tirar uma foto!

Foca artista!

Vimos também os cangurus que são muito engraçados pulando; o panda que de tão assediado estava com vergonha e ficou escondendo a cara; o gorila que não era tão grande mas ainda assim assustador e o orangotango que ficou fazendo um show com uma toalha para os espectadores. Ele me pareceu tão inteligente que acho que ele é que estava observando como nós somos bestas olhando pra ele fazer “macaquice”.

Todos os grandes felinos, que apesar de também termos em Recife os de Berlim são bonitos, fortes e bem alimentados. Tivemos a chance de vê-los fazendo um “lanchinho” enquanto estávamos lá. Dentre todos, o que mais me impressionou foi o Jaguar (que não temos em Recife) que é um dos animais mais bonitos que já vi. Muitos o conhecem como pantera negra.

Já a girafa não estava presente no momento (não me pergunte por que) então tive que me contentar com a de LEGO mesmo. Mas não podíamos ir embora sem antes visitar a estrela máxima do Zoo, e quiçá de Berlim, o urso polar Knut! (saiba mais) Acontece que o danado resolveu tirar um cochilo daqueles, em um lugar que mal dava pra vê-lo e nos fez esperar quase meia hora até que ele se levantasse um pouquinho e fizesse algum movimento. Mas valeu a pena!

Knut acordando!

Após o Zoo nossos pés estavam pedindo arrego e então fomos descansar pra tentar mais uma vez o Irish Pub agora com música. Feito o descanso seguimos o caminho até o pub e chegando lá mais uma decepção! De fato era noite com música ao vivo, Folk Irlandês, mas sendo bastante generoso acho que dava pra contar umas 20 pessoas no bar. A banda de folk era formada por quatro velhinhos que já estavam batendo na porta do céu (salve Bob Dylan!). Tanto que o cantor mal conseguia falar, travando uma verdadeira batalha pra sua voz não sumir. Sem contar que a pessoa mais animada no bar era a garçonete, e essa nem era bonita!

Pelo menos antes de ir embora pude captar em vídeo um momento inusitado da banda tocando a versão original de Whisky In The Jar, que foi regravada pelo Metallica. De tão estranho foi até legal!

Cansados de tanta frustração com a vida noturna de Berlim, decidimos parar de procurar e ir para onde tínhamos certeza que era bom. E assim, mais uma vez, terminamos a noite no terrace do albergue!

Na sexta só tivemos tempo de comer e seguir para refazer todo o trajeto via quase todos os meios de transporte, mas agora em sentido contrário.

Assim me despedi de Berlim, ao mesmo tempo dizendo “oi” para minha última semana na Europa. Será que ainda terei algo pra contar por aqui?

2 comentários:

Piu. disse...

mudinho, eu ainda continuo sendo facilmente conquistável pelo ouro, tá? ficadica, já que tu tás cheio dos euros aí :D

geente, que linda essa máscara né? nem toda egipcia era cleópatra.

e eu acho que tu podia ter batido um lero era com baco, o deus das farras. oloco, o guri só faz beber na europa!

gostei dessas paradas de zoo, mas nao sei se é um programa no qual eu gastaria quatro horas européias nem nove dinheiros europeus.

e continuo aqui torcendo pra que tu pegue uma loira nessa reta final. you go, boy!

Gustavo Calheiros disse...

meu amigo... nunca ouvi falar nesse ditado de comida no fundo ai... so se for no nordeste da belgica que se fala isso!!
mas rapaz, paguei 20 dolar pra subir na porra da cn tower... tu nao perde a mania de pirangagem heim!

perdi a chance de ir ao toronto zoo, e qd fui tentar e ao da cidade estava fechado por causa da greve. me resta agora esperar por novas ferias e novas aventuras!
abraço!