Eu poderia dizer que guardei o melhor para o final mas, não seria totalmente verdade já que, como eu disse, antes foi uma surpresa (ótima) que não estava nos planos.
Compartilharei aqui, agora, o melhor dia da minha viagem. Mas pra ser sincero, não há muito o que possa ser dito pra traduzir a satisfação que senti em estar no meu primeiro (de muitos, espero!) festival europeu: o Pukkelpop!
A sexta-feira anterior ao show parecia passar mais devagar que as outras, mas enfim chegou o sábado e saímos em direção à Hasselt, cidade mais ao Norte da Bélgica onde aconteceu o festival. Festival europeu com tudo o que tem direito: 3 dias, grandes bandas, vários palcos, muito espaço aberto e muito gente se divertindo! Infelizmente só puder ir no último dia, pois, dentre outras razões, também não tenho tanto dinheiro assim!
Mais ou menos 1h e pouca de carro e chegamos a um dos 5 enormes estacionamentos disponíveis para os pagantes do festival. Já na saída do estacionamento ganhei uma Red Bull inteiramente grátis de uma promoter moreninha muito graciosa. Já começou bem!
Alguns minutos de caminhada e chegamos à entrada. Pra entrar, esquema de pulseirinha mas sem ser daquelas que incomoda. Já na porta uma grande placa em 4 idiomas dizia: “Lost your bracelet? Buy a new ticket!”. Ou seja, perdeu, já era! Mas não sei como alguém conseguiria perder já que ela só sai cortando. Pra entrar apenas revistaram a mochila que carregávamos, nada de trogloditas lhe alisando e dando tapa nos genitais, graças a deus!
Logo após entrar meus olhos já brilharam com tanta beleza e alegria! Acreditem, fazia um sol e um calor miserável e por isso a maioria da gringalhada tava toda lá de bermuda, chinelo, os rapazes sem camisa e muitas garotas de biquíni! Pode parecer estranhíssimo pra nós mas da até pra entender. Pra eles que passam 6 meses ou mais no maior frio, nada melhor do que um belo dia de sol, tirar a roupa de banho da gaveta, mostrar o corpo e ficar fritando igual uma lagartixa embaixo do sol. É realmente um motivo pra celebrar! Diante desse cenário estava eu vestido bem comum: camisa, calça e tênis. Um casaco, que deixei amarrado na cintura pra não morrer de tanto suar, trazido seguindo a dica dos meus companheiros já prevendo o frio que cairia quando fosse noite.
Banho de sol!
Após um breve momento de “massagem na vista”, fomos comprar nossos Drink Tickets. Mesmo esquema de fichinha que a gente vê por aí às vezes, sendo que lá comprávamos vários de uma vez invés de ter que comprar a ficha toda vez que fosse pegar uma cerveja. E pra pegar a cerveja também não era grandes problemas, toda a área do festival é muito bem servida de stands pra pegar cerveja e portanto não gerava muita confusão e espera pra pegar a sua. Pras comidas, mesma coisa.
Pegamos nossas geladas e fomos logo andar pra sair de perto do “putz putz” do palco Boiler Room que ficava junto ao local onde pegamos as bebidas. Seguimos em direção ao palco principal para ver o que tava rolando, e vimos que dentro de alguns minutos começaria o show da Dinossaur Jr. Pra esperar fizemos como um bom europeu em festival e sentamos na grama. É interessante o tanto de gente que dorme, acampa, come, namora e tudo o mais na grama.
Sentados na grama!
Começado o show, fomos para o meio conferir. A Dinossaur Jr é de fato uma banda boa. Rock ‘n Roll meio tradicional e com um pezinho no grunge e no punk, eu diria. A impressão que ficamos é que falta a eles um pouco de presença de palco e interação com o público. Mas considerando que eles já são praticamente “senhores” de cabelo branco, ou sem (constatado também pela quantidade de “tiozões” pirando no som) eles até que mandam muito bem.
Dinossaur Jr. no palco principal
Depois do palco principal fomos até um palco menor, que se não me engano chamava-se Dance Hall. Lá estava tocando uma banda bastante agradável que acabei não pegando o nome, mas depois eu descubro. Sonzinho bem dançante, com um cara super nerd nos vocais e desenvoltura zero no palco. Sorte dele que o som era bom!
Pouco tempo depois começava no palco principal o show de 50cent, o qual já sabíamos que seria uma grande merda! Mas como eu vim all the way long from Brazil não podia deixar de dar pelo menos uma olhadinha né? Só pra dizer que vi.
Depois de enfrentar uma verdadeira multidão, chegamos até a lateral do palco pra confirmar aquilo que já sabíamos: o show de 50cent não vale nem 10 centavos. Pegue um grande bolo de esterco e ponha uma moeda de 50 centavos em cima: isso é o show de 50cent. Aquela mesma baboseira de todo cantor de hip-hop americano. O pior é que ao vivo é ainda pior porque não tem computador pra fazer todo o tratamento na música até ficar apresentável. Basicamente é o CD tocando o “arranjo” (se é que podemos chamar assim) e um monte de gangster gritando ao mesmo tempo “yô! Yô!” e alguns palavrões. O pior é que tem um monte de mulher que gosta! Devido à enorme multidão que teríamos que enfrentar pra fugir dali achamos melhor sofrer só nos ouvidos por enquanto, até que a coisa aliviasse para escaparmos.
Quando conseguimos sair de lá voltamos ao palco menor onde estávamos antes e onde agora começava o show do The Klaxons. Ficamos assistindo pelo telão de fora da tenda mesmo, aproveitando os últimos momentos de sol. Banda bastante boa, com presença de palco, dançante. Tem um leve toque de boate gay mas ainda assim é bem legal. Destaque pra baladinha cheia de “uuh uuh oohh oohh aaah” que minha amiga Babs havia me mostrado no dia anterior.
Pôr-do-sol no Pukkelpop!
Já estava escuro (e frio) quando entramos na tenda pra ver a banda dEUS. Banda belga que podíamos notar facilmente que tinha o público nas mãos. Grande sucesso por aqui, tem uma legião de fãs. Tanto que foi a única a tocar em dois dias do festival. O som é um rock um tanto mais tranqüilo mas muito coeso e muito bem arranjado, e no palco, dentre os tradicionais instrumentos, havia um cara tocando violino.
Durante um certo momento do show saí pra pegar mais uma cerveja pra mim, depois de memorizar fortemente o lugar onde estávamos nós 3. Fui, peguei a cerveja e na hora de voltar quem disse que achei o pessoal? Apesar de ter certeza mais ou menos de onde estávamos, a multidão era tanta e os empurrões também que de tanto rodar procurando, tomei a cerveja inteira e chegou uma hora que percebi que tava incomodando as pessoas e achei melhor ficar parado.
Pukkelpop!
Um pouco antes do fim do show saí pra urinar e no caminho do mictório percebi que no palco principal já haviam começado os Arctic Monkeys! A banda da noite, a banda que encerraria o festival e a banda pela qual eu paguei 85 euros de multa pra mudar minha passagem de volta. Resumindo: a banda que eu queria realmente ver e que era meu principal motivo pra ir ao festival.
Nunca fiz um xixi tão rápido na minha vida e corri pro meio da multidão. Apesar de curto (e acho que devo ter perdido uma ou duas músicas no começo) pra mim quase não poderia ter sido melhor. Cantei, dancei e pulei como um louco em todas as músicas! Filmei alguns trechos curtos pois não queria gastar uma canção inteira segurando a câmera.
Neste momento constatei que aquela história de “Nunca fiz amigos bebendo leite.” É bastante verdade. Bastaram algumas cervejas e algumas canções para de repente eu me ver pulando e cantando com outros fãs da banda. Uma menina, que tenho certeza ser inglesa, chegou a dizer num momento: “He fuckin’ loves it!” com um grande sorriso no rosto como se fôssemos melhores amigos há anos! Arrisco dizer que rolou até um flertezinho entre tantos olhares e pulos, mas, tartaruga que sou, fiquei dividido entre puxar conversa com a loura ou curtir o melhor show da minha vida. Demorei pra decidir e ela foi embora, e com ela foi-se minha última chance de conseguir um Green Card! Mas tudo bem, a vida é feita de escolhas!
Saí do show com a sensação de dever cumprido! Voltei pra casa feliz e cansado, e agora, a dois dias do meu retorno, posso dizer que fiz praticamente tudo que queria fazer nessa viagem. Me despedi em grande estilo da Europa e me despeço agora deste diário que relatou a melhor viagem da minha vida.
Até a próxima!


